Os edifícios inteligentes deixaram de representar uma inovação pontual no setor imobiliário para se consolidarem como um dos principais diferenciais da construção civil em escala global. De acordo com o relatório Smart Buildings Market Report” da MarketsandMarkets, o valor de mercado do segmento deve atingir US$ 204,43 bilhões até 2032, registrando taxa composta de crescimento anual (CAGR) de 9% entre 2026 e 2032. O estudo atribui esse avanço principalmente ao aumento da demanda por eficiência energética, impulsionada por regulamentações ambientais mais rigorosas, e à crescente busca por ambientes que promovam conforto, saúde e bem-estar dos ocupantes.

O relatório define os edifícios inteligentes como empreendimentos capazes de integrar, em uma estrutura conectada e automatizada, sistemas que tradicionalmente operam de forma independente. Algumas das tecnologias mencionadas são sensores, plataformas em nuvem e soluções de automação conectadas à infraestrutura predial que permitem monitorar continuamente indicadores como consumo de energia, climatização, segurança e ocupação dos espaços.

O estudo destaca ainda o avanço de tecnologias da Internet das Coisas (IoT) e de inteligência artificial aplicadas à manutenção preditiva, recursos que ampliam a capacidade de gestão dos edifícios, otimizam o uso dos recursos disponíveis e contribuem para operações mais eficientes ao longo de todo o ciclo de vida dos empreendimentos.

Na América Latina, a evolução do segmento ocorre em ritmo ainda mais acelerado. Segundo o estudo Latin America Smart Building Market Size & Outlook”, o mercado regional movimentou US$ 7,21 bilhões em 2025 e deve alcançar US$ 8,4  bilhões em 2026, chegando a US$ 28,8 bilhões em 2033. A projeção representa uma taxa composta de crescimento anual (CAGR) de 19,3% entre 2026 e 2033.

O levantamento identifica os segmentos de soluções e serviços como os principais responsáveis pela expansão do mercado e destaca o Brasil entre os países com maior potencial de crescimento, impulsionado pela demanda por tecnologias capazes de reduzir custos operacionais, aumentar eficiência na gestão predial e otimizar o uso dos recursos disponíveis.

Segundo Igor Melro, diretor comercial da Porte Engenharia e Urbanismo, a evolução dos edifícios inteligentes acompanha uma mudança de expectativa do próprio mercado imobiliário. “A tecnologia deixa de aparecer como um conjunto de equipamentos isolados e passa a integrar o funcionamento de um empreendimento”. Para o empresário, como para os estudos, o objetivo é tornar a operação mais eficiente, simplificar a gestão predial e oferecer uma experiência mais fluida para quem utiliza o edifício diariamente.

Na prática, essa abordagem orientou o desenvolvimento do Platina 220, empreendimento de uso misto da Porte localizado no Eixo Platina, na Zona Leste da capital paulista. O edifício incorpora soluções de automação voltadas à gestão integrada das áreas comuns, controle inteligente de acessos, monitoramento dos sistemas prediais e infraestrutura preparada para mobilidade elétrica, além de estratégias de eficiência hídrica e energética. O conjunto de tecnologias busca oferecer maior previsibilidade na administração do empreendimento, alinhando-se às tendências apontadas pelos estudos internacionais para a próxima geração de edifícios inteligentes.

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Para Melro, o avanço desse modelo acompanha uma transformação mais ampla do setor. "Quando os sistemas do edifício passam a conversar entre si, a tecnologia deixa de ser apenas um recurso de automação e passa a apoiar decisões relacionadas à operação, manutenção e uso dos espaços. Essa integração tende a gerar ganhos de eficiência ao longo de todo o ciclo de vida do empreendimento e representa um dos caminhos pelos quais o mercado imobiliário vem evoluindo", conclui o executivo.



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