A convergência entre dermatologia clínica e cirurgia plástica tem ganhado relevância na medicina contemporânea, sobretudo quando o foco é a face. Condições crônicas como a rosácea, que afeta predominantemente mulheres entre 20 e 50 anos, passaram a ser abordadas com protocolos que integram diagnóstico por imagem, plataformas de laser e radiofrequência microagulhada. Essa abordagem multidisciplinar começa a se consolidar como tendência em centros especializados no Brasil.
Estudo multicêntrico brasileiro conduzido pelo Grupo Brasileiro de Pesquisas e Estudos em Rosácea (GBPER), publicado nos Anais Brasileiros de Dermatologia em 2025, estimou prevalência de 13% da condição entre pacientes adultos atendidos em ambulatórios de dermatologia no país. O dado é significativo quando comparado às taxas internacionais, que variam de 2% a 22%, conforme a composição étnica de cada região.
A dermatologista Carla Knust, do Instituto Libertà, em Florianópolis (SC), observa o impacto da rosácea subdiagnosticada. "Muitos pacientes chegam após anos de tentativas frustradas com tratamentos genéricos. A rosácea exige precisão no diagnóstico antes de qualquer protocolo", afirma a especialista (CRM 18309, RQE 21114).
Novas evidências sobre laser e diagnóstico por imagem
A ultrassonografia dermatológica tem se consolidado como ferramenta de apoio ao diagnóstico de condições inflamatórias da pele, permitindo a visualização das camadas cutâneas em tempo real. Revisão publicada no Journal of Clinical Medicine, em 2026, consolidou evidências sobre o uso de lasers PDL, Nd:YAG e Er:YAG no manejo da rosácea, confirmando o PDL como padrão-ouro para o subtipo eritematotelangiectásico e o Nd:YAG para lesões vasculares mais profundas.
Pesquisa do European Medical Journal em 2025 trouxe achados complementares: a combinação de laser pulsed dye com alexandrita de pulso longo resultou em melhora expressiva na rosácea papulopustular, subtipo tradicionalmente resistente à laserterapia isolada, sem efeitos adversos na coorte estudada.
"O avanço das plataformas de laser e a possibilidade de combinar diferentes comprimentos de onda ampliaram as opções para pacientes com rosácea refratária", destaca a Dra. Carla Knust, do Instituto Libertà.
Radiofrequência microagulhada na interface entre as especialidades
A radiofrequência fracionada com microagulhamento tem ocupado espaço crescente tanto na dermatologia quanto na cirurgia plástica. Estudo retrospectivo publicado no Aesthetic Surgery Journal em 2025 acompanhou o uso da tecnologia em mais de 1.300 zonas faciais, sem relatar complicações neurológicas. Revisão no Facial Plastic Surgery & Aesthetic Medicine identificou 42 estudos de alta qualidade demonstrando segurança e eficácia do procedimento para rejuvenescimento, cicatrizes e rosácea.
O cirurgião plástico Leandro Tomita, também do Instituto Libertà, em Florianópolis (SC), utiliza a tecnologia em protocolos de rejuvenescimento facial. "A radiofrequência microagulhada permite tratar flacidez e textura sem procedimento cirúrgico tradicional. Para pacientes que buscam resultados naturais, com menor tempo de recuperação, essa abordagem tem se mostrado consistente", explica o especialista.
Pesquisa publicada no Plastic and Reconstructive Surgery em 2025 avaliou a combinação de radiofrequência em baixa energia com enxerto de nanofat em 20 pacientes. Os resultados indicaram melhora significativa na textura da pele, com escore na escala Global Aesthetic Improvement passando de 3,35 para 1,76 após o tratamento.
Revisão publicada no Aesthetic Surgery Journal Open Forum em 2023, com base em 47 anos de prática cirúrgica, documentou a evolução dos procedimentos complementares ao lifting facial. Segundo os autores, dispositivos de radiofrequência microagulhada passaram a ser o complemento mais utilizado durante cirurgias de face, com tempo de recuperação significativamente menor em comparação ao resurfacing ablativo isolado, cerca de duas semanas contra quatro a seis semanas. O laser de erbium, por sua vez, permanece como recurso consolidado para o tratamento de discromias e rítides em áreas que o lifting sozinho não alcança, como a região perioral e periorbital.
"Quando associamos o laser de erbium e a radiofrequência microagulhada ao lifting facial, conseguimos tratar tanto as estruturas profundas da face quanto a qualidade da pele. E, nos casos em que há rosácea associada, a luz intensa pulsada complementa o resultado, fechando o componente vascular", afirma o Dr. Leandro Tomita, do Instituto Libertà.
Atuação conjunta em Florianópolis
A integração entre dermatologista e cirurgião plástico no cuidado facial é apontada como tendência em consolidação. Quando o paciente apresenta condição dermatológica ativa, a avaliação da pele antes de qualquer procedimento estético torna-se etapa indispensável.
"O trabalho conjunto permite que o paciente receba o cuidado mais adequado para cada etapa. A pele precisa estar saudável antes de qualquer intervenção estética", afirma a Dra. Carla Knust, do Instituto Libertà. O Dr. Leandro Tomita, da mesma instituição, complementa: "A cirurgia plástica facial evoluiu para além do bisturi. A integração com a dermatologia e com tecnologias de precisão permite protocolos individualizados, mais seguros e com resultados mais harmônicos".
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Meta-análise em rede publicada no Journal der Deutschen Dermatologischen Gesellschaft em 2025 reforça a necessidade de estudos focados na otimização de parâmetros terapêuticos e terapias combinadas, a fim de possibilitar abordagens mais personalizadas.
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