Vinícolas brasileiras têm ampliado a oferta de enoturismo, atividade que combina visitação, degustação e contato com a cultura local, como forma de gerar receita adicional. O movimento ganha força em 2025, sobretudo nas regiões produtoras, e se apoia na busca dos turistas por vivências autênticas e imersivas. A estratégia visa transformar a visita à vinícola em elemento central de posicionamento de marca, e não apenas em um complemento.
Dados internacionais confirmam essa tendência. Segundo o Global Wine Tourism Report 2025, da UN Tourism, dois terços das vinícolas pesquisadas consideram o enoturismo uma atividade lucrativa ou muito lucrativa, e o turismo responde por aproximadamente 25% da receita desses empreendimentos. No Brasil, levantamento do Sebrae indica que 85% das vinícolas já utilizam o enoturismo para ampliar faturamento, enquanto 63,7% adotam a diversificação como estratégia competitiva.
No estado do Rio de Janeiro, esse movimento também ganhou expressão recente. Em maio de 2025, o Sebrae Rio lançou o primeiro roteiro de vinícolas do estado, reunindo 33 empreendimentos da região Centro-Sul Fluminense. A iniciativa busca posicionar o enoturismo como eixo de desenvolvimento regional, articulando vinho, gastronomia, hospitalidade e contato com a natureza.
A ampliação desse mercado, porém, também torna a concorrência mais sensível à diferenciação. Na avaliação da especialista em Comunicação Estratégica e Inteligência Territorial Geiza Rocha, à medida que mais vinícolas passam a oferecer visitação, degustação, harmonização e outras atividades, a experiência, por si só, deixa de funcionar como fator suficiente de distinção. “A simples oferta de atividades semelhantes já não garante diferenciação. O que passa a pesar mais é a forma como a marca organiza e comunica sua identidade”, afirma.
Segundo Rocha, um dos obstáculos recorrentes nesse processo é a fragmentação da comunicação. “Em muitos casos, a vinícola investe em produto, recepção e presença digital, mas transmite mensagens desconexas em seus diferentes pontos de contato. Quando cada ponto de contato comunica uma identidade diferente, o consumidor não constrói memória de marca”, diz.
Para a especialista, a preparação para esse ambiente mais competitivo começa com um diagnóstico da comunicação. A proposta, segundo ela, é identificar rupturas entre discurso institucional, experiência presencial, materiais de marca, canais digitais e fala comercial. “Esse mapeamento permite entender onde a narrativa perde coerência e onde o território deixa de ser um ativo de posicionamento para virar apenas pano de fundo”, destaca.
Rocha pontua que, a partir desse diagnóstico, o trabalho consiste em alinhar elementos como geografia, memória, enoturismo e design estratégico para dar mais unidade à mensagem da vinícola. “A ideia é fazer com que o território passe a operar como elemento de diferenciação, e não apenas como contexto. Quando isso acontece, a experiência deixa de ser um conjunto de ações dispersas e passa a sustentar uma identidade mais clara”, explica.
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Diante desse desafio, segundo Geiza, as vinícolas não devem desanimar. “Esse crescimento do enoturismo no Brasil representa tanto uma oportunidade de expansão quanto um teste de consistência para as vinícolas. Em um mercado cada vez mais orientado pela experiência, a capacidade de manter uma identidade de marca coesa, coerente, clara e reconhecível torna?se fator decisivo para a competitividade”, alerta.
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