A concentração de médicos nas capitais brasileiras tem intensificado a concorrência por vagas e plantões, dificultando principalmente a inserção de recém-formados no mercado de trabalho. O cenário ocorre em meio ao crescimento acelerado da formação médica no país, que ampliou o número de profissionais disponíveis sem uma distribuição proporcional pelo território nacional. O problema, segundo especialistas, demanda políticas públicas assertivas para a criação de vagas e de infraestrutura de trabalho em todo o Brasil.

Dados da Demografia Médica 2025, elaborada pela Faculdade de Medicina da USP, indicam que o Brasil soma 635,7 mil médicos, com a entrada de 35,9 mil novos profissionais no mercado apenas no último ano. O estudo evidencia a concentração em capitais: em São Paulo, a média estadual é de 3,76 médicos por mil habitantes, enquanto na capital chega a 6,8. Em Belo Horizonte, o índice é de 9,98, frente a 3,49 em Minas Gerais.

Nos grandes centros, há relatos de vagas de trabalho preenchidas em poucos segundos, enquanto regiões do interior ainda apresentam menor densidade de profissionais e, em sua maioria, generalistas. A limitação de vagas em programas de residência médica contribui para esse quadro. Entre 2018 e 2024, o número de estudantes de medicina cresceu 71%, enquanto o total de residentes aumentou 26%, o que amplia o contingente de médicos generalistas em atividade. No entanto, hospitais concentrados nas capitais e regiões metropolitanas priorizam profissionais com especialização.

Para a Anadem (Sociedade Brasileira de Direito Médico e Bioética), o cenário reforça a necessidade de políticas voltadas à melhor distribuição da força de trabalho e à qualificação da formação médica. Segundo o presidente da entidade, o advogado especialista em direito médico Raul Canal, “é preciso de garantias não apenas à formação de qualidade e continuada, mas à adequada inserção desses profissionais no sistema de saúde de norte a sul do país, com infraestrutura de trabalho adequada, especialmente diante da concentração observada nas capitais”.

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“O médico generalista tem papel fundamental no sistema de saúde, especialmente na atenção primária, sendo capaz de resolver a maior parte das demandas quando inserido em condições adequadas. No entanto, o cenário atual reforça a necessidade do acesso à residência médica e à formação especializada, permitindo que esses profissionais avancem na qualificação e se distribuam de forma mais equilibrada no sistema”, conclui o diretor médico-científico da Anadem, Erickson Blun.



Website: https://anadem.com.br/
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