O empresariado brasileiro encerrou o quarto trimestre de 2025 com o maior nível histórico de expectativa de aumento de receita desde o início da série do International Business Report (IBR), da Grant Thornton. Segundo o levantamento, 86% das empresas no Brasil projetam crescimento de faturamento nos próximos 12 meses, avanço relevante em relação aos 75% registrados no terceiro trimestre de 2025, consolidando um movimento consistente de retomada da confiança ao longo do ano.
O resultado posiciona o Brasil acima da média observada em diversos mercados globais e reforça a resiliência do empresariado nacional, sustentada por fatores como consumo interno, exportações e manutenção do ambiente econômico no curto prazo.
Otimismo econômico avança mesmo em cenário global incerto
O fortalecimento da expectativa de crescimento da receita ocorre em paralelo à alta do otimismo com a economia, que subiu de 64% no terceiro trimestre para 71% no quarto trimestre de 2025. O avanço se dá em um contexto internacional ainda marcado por incertezas geopolíticas, barreiras e tarifas comerciais, ajustes monetários e desaceleração em economias relevantes, evidenciando uma leitura mais positiva do empresariado brasileiro sobre o ambiente doméstico.
Na comparação trimestral, outros indicadores estratégicos também apresentaram evolução. A criação de novos empregos avançou de 77% para 79%, enquanto o investimento em equipamentos passou de 62% para 70%. Já os investimentos em tecnologia atingiram 92%, o maior patamar da série recente, sinalizando uma busca clara por ganhos de eficiência, produtividade e competitividade no médio prazo.
ESG recua no curto prazo, mas entra em fase decisiva em 2026
Apesar do avanço dos indicadores econômicos, o IBR Q4 revela uma redução pontual nos investimentos em ESG, que recuaram de 76% no terceiro trimestre para 72% no quarto trimestre. O movimento ocorre justamente às vésperas de um ano considerado estratégico para a agenda de sustentabilidade corporativa, com a implementação das normas S1 e S2 e o avanço nas negociações do Acordo Mercosul–União Europeia.
“Esse dado precisa ser analisado com cautela. A pesquisa foi realizada antes da assinatura do acordo de parceria e acordo comercial provisório entre Mercosul e União Europeia. Quando o acordo entre Mercosul e União Europeia for assinado, o tema ESG tende a se recolocar como prioridade estratégica, especialmente para empresas com foco em exportação”, afirma Daniel Maranhão, CEO da Grant Thornton Brasil. Segundo ele, o recuo observado no curto prazo pode refletir uma reavaliação tática dos investimentos, e não uma perda estrutural de relevância do tema.
Acordo Mercosul–UE deve reposicionar sustentabilidade como fator de competitividade
Na avaliação de Maranhão, o novo acordo comercial com a União Europeia deve funcionar como um catalisador para a atração de investimentos no desenvolvimento sustentável. “A regulamentação europeia impõe condicionantes de acesso ao mercado envolvendo redução de impactos ambientais nas exportações, incentivo a padrões de produção mais limpos e cadeias produtivas mais transparentes. Os fatores ESG passam a ser um diferencial competitivo importante e as empresas que não se adaptarem às novas normas poderão enfrentar barreiras para exportar à UE”, explica.
Nesse contexto, temas como rastreabilidade na cadeia de valor, sistema de gestão ambiental, inventário de emissões de GEE, planos de adaptação relacionados às mudanças climáticas, entre outros assuntos relacionados, tendem a ganhar peso crescente nas decisões estratégicas, sobretudo entre empresas exportadoras e cadeias produtivas integradas ao mercado europeu.
Investimento em pessoas ganha força
Outro destaque do IBR Q4 é o avanço expressivo dos investimentos em capacitação de pessoas, que subiram de 71% no terceiro trimestre para 83% no quarto trimestre, um crescimento de 12 pontos percentuais. O movimento ocorre em um cenário de escassez de mão de obra qualificada e aumento da competição por talentos.
“Com menos profissionais capacitados no mercado, as organizações passaram a priorizar a retenção por meio da capacitação. Ao investir em qualificação, as empresas buscam ganhar eficiência operacional, sustentar margens e manter competitividade em um ambiente econômico que exige mais especialização, inovação e capacidade de adaptação contínua”, observa Maranhão.
Investimentos em tecnologia seguem como prioridade
Os resultados do IBR Q4 2025 reforçam que o investimento em tecnologia e equipamentos permanece como uma prioridade estrutural do empresariado brasileiro. Mesmo em períodos de maior cautela econômica, esse tipo de investimento se mantém relevante, sinalizando que a modernização operacional e o ganho de eficiência já não são vistos como opcionais, mas como requisitos para a competitividade das empresas nos próximos ciclos de crescimento.
Na opinião do CEO da Grant Thornton Brasil, “a busca por novas tecnologias e equipamentos tem se tornado cada vez mais estratégica na visão de longo prazo das empresas”.
2026 será um ponto de inflexão para crescimento
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Os dados do IBR Q4 indicam um empresariado brasileiro mais confiante, orientado ao crescimento e atento à eficiência, mas diante de um ponto de inflexão na agenda sustentável.
Website: https://www.grantthornton.com.br/
