Pelo menos sete pessoas morreram, nesta quarta-feira (23), em novos bombardeios russos na Ucrânia, que atingiram principalmente a infraestrutura de transportes ferroviário e marítimo, provocando incêndios em Kiev.
A capital ucraniana, com cerca de três milhões de habitantes, tem sido alvo de bombardeios com drones há vários dias, em meio a uma intensificação dos ataques de longo alcance por parte de ambos os lados na linha de frente.
Nesta quarta-feira, pelo menos duas pessoas morreram em Kiev e outras 43 ficaram feridas em bombardeios que danificaram, entre outros locais, um posto de gasolina, um centro comercial e várias lojas, segundo as autoridades municipais.
O diretor do serviço de ferrovias do país, Oleksandr Pertsovsky, informou que a rede ferroviária de Kiev estava "sob fogo" e pediu "máxima vigilância" aos passageiros.
As explosões foram ouvidas durante toda a noite e ao longo do dia, com colunas de fumaça que podiam ser vistas em vários bairros da cidade.
Na região de Odessa, no sul, um ataque russo atingiu um cargueiro com bandeira de Antígua e Barbuda e matou seu capitão ucraniano, informou o governador Oleg Kiper.
O ataque também visou diversas instalações civis e provocou vários incêndios em armazéns de medicamentos e alimentos, acrescentou ele no Telegram.
O Ministério russo da Defesa afirmou, por sua vez, ter atacado um navio de carga que transportava "remessas de uso militar" para o porto de Odessa, assim como um armazém de componentes para drones em uma localidade da região.
- "Paralisar a economia" -
O presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, acusa a Rússia de tentar "paralisar a economia e destruir a vida das pessoas".
A intensificação dos ataques russos neste ano provocou o bloqueio quase total das exportações ucranianas pelo Mar Negro, o que provocou graves prejuízos à economia do país.
O chefe da diplomacia ucraniana, Andrii Sibiga, também acusou Moscou, nesta quarta-feira, de ter como alvo "os principais centros de dados ucranianos" e de "buscar perturbar a circulação de informação".
No mesmo dia, cerca de 100 mil residências tiveram problemas de acesso à internet devido aos ataques russos, segundo Kiev.
Por sua vez, a Ucrânia intensificou seus ataques na Rússia, sobretudo a refinarias e depósitos de petróleo, armazéns dos gigantes do comércio eletrônico Wildberries e Ozon, bem como cargueiros que navegam a partir de portos russos no Mar Negro.
Pelo menos 226 navios civis e comerciais foram atingidos nesta via desde o início da invasão russa da Ucrânia, em fevereiro de 2022, segundo a Câmara de Comércio Marítimo da Turquia, Imeak.
Quase 70% dos 163 ataques aconteceram nos primeiros oito meses deste ano.
Tais ofensivas no Mar Negro foram considerados "inaceitáveis" pelo presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, que colocou Ucrânia e Rússia no mesmo patamar durante um discurso na Assembleia Geral das Nações Unidas na terça-feira.
Durante uma reunião entre Zelensky e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em Nova York, no mesmo dia, ambos falaram sobre "possíveis medidas de desescalada que possam abrir caminho para a diplomacia".
O secretário de Estado americano, Marco Rubio, instou Moscou e Kiev, nesta quarta, a pôr fim aos seus bombardeios recíprocos contra as infraestruturas energéticas, enquanto Trump vem acusando Zelensky de agravar a escassez mundial de diesel ao atacar as refinarias russas.
Rubio anunciou que os Estados Unidos convidaram o presidente russo, Vladimir Putin, a participar da cúpula do G20 em Miami, em dezembro.
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