A guerra contra o Irã já custou aproximadamente US$ 38,1 bilhões aos Estados Unidos até 1º de agosto. É uma conta formada por mísseis disparados, equipamentos perdidos, milhares de horas adicionais de voo, operações de navios e tropas e uma despesa crescente com combustíveis.

O número aparece em um relatório de 19 páginas divulgado em 15 de setembro de 2026 pelo Congressional Budget Office, o CBO, Escritório de Orçamento do Congresso dos Estados Unidos. O documento é assinado pelo diretor do órgão, Phillip L. Swagel, e foi produzido a pedido do deputado Brendan F. Boyle e de um grupo de senadores.

O levantamento deveria responder a uma pergunta aparentemente simples: quanto está custando a guerra?

Para chegar à resposta, porém, o CBO precisou separar diferentes tipos de despesas. Foram analisados os custos operacionais, logísticos e de sustentação do Departamento de Defesa, o impacto provocado pelo consumo de recursos militares estratégicos, as consequências econômicas do conflito e despesas adicionais que poderiam surgir em áreas como diplomacia e ajuda externa.

O resultado mais imediato foi a cifra de US$ 38,1 bilhões.

E ela ainda não representa toda a conta.

O CBO não incluiu gastos normais que existiriam mesmo se os militares americanos não estivessem em guerra. Também ficaram de fora despesas assumidas por outros órgãos do governo e custos que o próprio escritório não conseguiu calcular.

O relatório traz ainda uma ressalva importante sobre a precisão dos números. O Departamento de Defesa não respondeu aos pedidos de informações feitos pelo CBO. Os técnicos tiveram de reconstruir parte da conta utilizando bancos de dados governamentais e informações disponíveis publicamente.

Por isso, o próprio órgão classifica suas estimativas como sujeitas a “considerável incerteza”.

Mais da metade foi para munições

O que mais impressiona na composição dos gastos é a velocidade com que armamentos de alto valor são consumidos.

Dos US$ 38,1 bilhões calculados, US$ 21,7 bilhões correspondem à reposição das munições utilizadas.

São US$ 7,3 bilhões em mísseis de cruzeiro empregados contra alvos terrestres, US$ 13,1 bilhões em interceptadores de defesa antimísseis e US$ 1,2 bilhão em outras munições.

As armas representam, portanto, o maior componente individual da conta apresentada pelo CBO.

Outra parcela gigantesca está no céu.

As horas de voo acima da atividade normal das Forças Armadas custaram aproximadamente US$ 10,4 bilhões até 1º de agosto.

Desse total, cerca de US$ 3,4 bilhões vieram de aeronaves táticas da Força Aérea, US$ 4,6 bilhões de bombardeiros e aeronaves de apoio e outros US$ 2,4 bilhões de aviões da Marinha operando a partir de porta-aviões e navios de assalto anfíbio.

A destruição de equipamentos acrescentou outros US$ 1,9 bilhão. Operações diversas, US$ 1,5 bilhão. E a elevação dos preços dos combustíveis provocada pelo próprio conflito acrescentou aproximadamente US$ 2,7 bilhões aos gastos militares.


A conta continua rodando


Os US$ 38,1 bilhões são uma fotografia tirada em 1º de agosto, não o custo final.

Se a intensidade das hostilidades permanecer semelhante à observada nos períodos de menor confronto, cada novo mês pode acrescentar aproximadamente US$ 2 bilhões.

Se voltar ao nível registrado em julho, serão aproximadamente US$ 3 bilhões por mês.

E o próprio CBO adverte que a despesa poderá superar esse patamar caso a guerra volte a escalar.

Em junho, por exemplo, os Estados Unidos teriam disparado cerca de 50 mísseis Tomahawk em um único ataque. Só uma ação desse porte acrescentaria aproximadamente US$ 200 milhões em relação a um mês de operações mais reduzidas, segundo os cálculos do órgão.

A guerra, portanto, tem um relógio financeiro próprio.

Enquanto houver combate, ele continua girando.

Especialistas alertam que o aumento do uso de interceptores de mísseis pelas forças armadas dos EUA durante a guerra com o Irã representa riscos estratégicos de longo prazo para as capacidades de defesa essenciais

Capitão Adan Cazarez/Exército dos EUA

O ARSENAL QUE O DINHEIRO NÃO REPÕE

cifra de US$ 38 bilhões mostra o tamanho financeiro da guerra. Mas uma das conclusões mais importantes do relatório do Congresso americano não pode ser medida apenas em dólares.

Os Estados Unidos estão consumindo armas sofisticadas mais rapidamente do que conseguem produzi-las.

O problema aparece principalmente nos interceptadores utilizados para destruir mísseis balísticos e outras ameaças antes que atinjam seus alvos.

Durante os confrontos, as forças americanas recorreram intensamente aos sistemas Patriot, THAAD, SM-3 e SM-6 para enfrentar os ataques iranianos.

São armas extremamente caras.

Um interceptador Patriot ou SM-6 custa aproximadamente US$ 4 milhões. Um THAAD chega a cerca de US$ 12 milhões. As versões mais sofisticadas do SM-3 podem alcançar US$ 28 milhões por míssil. O problema, entretanto, não está apenas no preço.

Esses interceptadores são fabricados em quantidades relativamente pequenas e o estoque americano já era limitado antes do atual conflito.

O Departamento de Defesa não revela publicamente quantos mantém armazenados. O CBO, porém, comparou informações disponíveis sobre o número de interceptadores empregados em combate com a quantidade total adquirida pelos Estados Unidos.

A conclusão é significativa.

Os americanos provavelmente utilizaram entre metade e dois terços de seu inventário dessas munições desde junho de 2025. Parte foi empregada na defesa de Israel durante os ataques iranianos daquele ano. A guerra iniciada em fevereiro de 2026 reduziu ainda mais os estoques.

Comprar novos mísseis não significa recebê-los imediatamente.

O relatório explica que aumentar a produção desse tipo de armamento é historicamente um processo lento. Entre a realização de novas encomendas e as primeiras entregas pode haver um intervalo de três a cinco anos.

Mesmo se a fabricação for ampliada, o CBO calcula que reconstruir os estoques utilizados provavelmente levará pelo menos cinco anos.

Depois da expansão da produção, ainda seriam necessários anos adicionais para substituir completamente determinados interceptadores consumidos no conflito.

É aí que surge uma das questões estratégicas levantadas pelo documento.

O CBO cita expressamente a China. Segundo o relatório, Pequim dispõe de muito mais mísseis balísticos e de cruzeiro do que o Irã tinha no início da Operation Epic Fury. A China também possui uma base econômica muito maior, capaz de sustentar uma produção mais elevada.

O relatório não prevê uma guerra entre Estados Unidos e China. O que faz é analisar o custo de oportunidade provocado pelo consumo das armas: depois de utilizar grande parcela de seus interceptadores contra o Irã, o Departamento de Defesa teria menos unidades disponíveis caso precisasse enfrentar outro adversário equipado com grande quantidade de mísseis.

A guerra também deixou equipamentos destruídos.

O CBO estima em aproximadamente US$ 1,9 bilhão o custo dos equipamentos perdidos que exigiriam mudanças nos planos de reposição das Forças Armadas.

Entre eles está um radar AN/TPY-2 do sistema THAAD, destruído pelo Irã.

A dimensão da perda aparece no preço: aproximadamente US$ 500 milhões.

Cada bateria THAAD possui apenas um desses radares, indispensável para seu funcionamento. Segundo o documento, o Departamento de Defesa dispõe de oito baterias THAAD, sistemas muito demandados para defesa contra mísseis balísticos.

O relatório registra também perdas de aeronaves, helicópteros e drones. O CBO, porém, não atribuiu o custo integral de reposição a todos os aviões destruídos porque alguns modelos já estavam programados para ser substituídos.

Se todas as perdas fossem repostas por meio de recursos adicionais, o custo poderia chegar a aproximadamente US$ 3,3 bilhões, em vez dos US$ 1,9 bilhão considerados na estimativa principal.

A diferença ajuda a entender por que a cifra de US$ 38 bilhões precisa ser lida com cuidado.

Há aquilo que já foi gasto.

Há aquilo que precisará ser comprado.

E há aquilo que dinheiro algum consegue entregar imediatamente: tempo para reconstruir o arsenal.


QUANTO CUSTA DEFENDER O CÉU

PATRIOT
US$ 4 milhões
Sistema de defesa aérea de longo alcance usado para interceptar mísseis balísticos, aeronaves e outras ameaças aéreas

SM-6
US$ 4 milhões
Míssil da Marinha americana usado para interceptar ameaças aéreas, mísseis balísticos e mísseis de cruzeiro

THAAD
US$ 12 milhões
Sistema de defesa antimísseis de grande altitude desenvolvido para interceptar mísseis balísticos durante sua trajetória

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SM-3
até US$ 28 milhões
Míssil da Marinha americana desenvolvido para interceptar mísseis balísticos em grandes altitudes e fora da atmosfera

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