O tribunal de paz da Colômbia denunciou, nesta sexta-feira (18), uma "estratégia" de "asfixia econômica" apoiada pelo presidente de direita, Abelardo de la Espriella, que pressiona por um projeto de lei do partido governista para cortar seu orçamento em mais de US$ 30 milhões (R$ 154,7 milhões).

A Jurisdição para a Paz (JEP), criada pelo histórico acordo de paz de 2016 com as guerrilhas das Farc, investiga e processa os crimes mais graves cometidos durante o conflito armado interno de meio século no país sul-americano. 

Durante sua campanha, De la Espriella prometeu desmantelar o tribunal, que enfrenta duras críticas de setores políticos que consideram as sentenças contra ex-guerrilheiros muito brandas e rejeitam investigações contra as forças públicas por crimes de guerra. 

O senador Enrique Gómez, do partido que levou De la Espriella à presidência, apresentou um projeto de lei na quinta-feira para reduzir o orçamento estatal da JEP em aproximadamente US$ 31 milhões. Ele se refere à JEP como "a jurisdição da impunidade".

A iniciativa propõe a transferência desses recursos para o sistema judiciário tradicional. 

"Publiquem, comuniquem e cumpram!", escreveu o presidente De la Espriella nas redes sociais, referindo-se ao projeto. 

A proposta "demonstra a existência de uma estratégia para impedir o funcionamento" do tribunal por meio da "asfixia econômica", afirmou o presidente da JEP, Alejandro Ramelli, em declaração à imprensa nesta sexta-feira, apelando à comunidade internacional para que "detenha esta iniciativa".

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