As mortes acidentais de animais protegidos deixarão de ser consideradas ilegais nos Estados Unidos, segundo um memorando do governo Trump confirmado pela AFP nesta quinta-feira (17).
Críticos consideram a decisão uma tentativa de reinterpretar de maneira fundamental a Lei de Espécies Ameaçadas de Extinção.
Pela nova diretriz, mortes decorrentes de riscos previsíveis de atividades como a pesca comercial ou a exploração madeireira ficarão isentas da lei.
O memorando de 14 de setembro, publicado na internet pela organização sem fins lucrativos Center for Biological Diversity, redefine o termo usado para perseguir, matar ou capturar uma espécie, limitando-o a condutas "intencionalmente dirigidas contra um ou mais animais específicos".
"Uma embarcação que atinge inadvertidamente uma baleia não a 'capturou' (taken), porque a rota da embarcação não foi traçada contra a baleia", afirma o documento.
"Derrubar uma árvore não constitui uma 'captura ou morte' (take) dos morcegos que fazem ninho nela, a menos que a árvore seja derrubada com o objetivo de matá-los ou capturá-los", acrescenta.
O documento foi assinado por Brian Nesvik, diretor do Serviço de Pesca e Vida Silvestre, subordinado ao Departamento do Interior, que confirmou à AFP a autenticidade do memorando.
Grupos conservacionistas reagiram com consternação e argumentaram que a maioria das ameaças às espécies em risco de extinção não decorre da caça direta, mas de atividades autorizadas pelo governo federal.
"Essas mudanças alteram o equilíbrio da Lei de Espécies Ameaçadas de Extinção entre a atividade econômica e as proteções necessárias, levando as espécies à beira da extinção", afirmou Beth Lowell, vice-presidente da Oceana.
A organização destacou entre as espécies ameaçadas pelas mudanças a baleia-franca-do-atlântico-norte. Restam cerca de 380 exemplares, e as principais causas de sua mortalidade são o emaranhamento em equipamentos de pesca e as colisões com embarcações.
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