Dezenas de ex-governantes mundiais publicaram nesta quarta-feira (16) uma carta aberta a seus sucessores para pedir apoio à criação de um novo painel internacional para enfrentar as extremas disparidades econômicas.
A carta, assinada por 37 líderes, como o ex-primeiro-ministro francês Jean-Pierre Raffarin e o ex-chanceler alemão Olaf Scholz, afirma que a "crise" de desigualdade no mundo exige uma resposta política urgente.
Os signatários são membros do Clube de Madri, o maior fórum mundial de ex-governantes democráticos, que inclui o ex-primeiro-ministro espanhol José Luis Rodríguez Zapatero e o ex-premiê português Aníbal Cavaco Silva.
Eles expressaram na carta a "considerável preocupação de que a intensificação da desigualdade provoque, de fato, a erosão das liberdades democráticas, enfraquecendo os freios e contrapesos institucionais dos quais as sociedades dependem".
O texto cita estudos que apontam que "os países mais desiguais têm agora sete vezes mais probabilidade de experimentar uma deterioração democrática do que os países mais igualitários".
Da mesma forma, destacaram que o mundo viu emergir neste ano seu primeiro trilionário, no momento em que uma em cada quatro pessoas do planeta enfrenta insegurança alimentar. Está claro, ressaltaram, "que a brecha entre os mais ricos e os mais pobres simplesmente se tornou grande demais".
Os signatários pediram aos atuais governantes a criação de um novo Painel Internacional sobre Desigualdade (PID) e a adesão a um debate de alto nível para abordar o tema na próxima semana, à margem da Assembleia Geral da ONU, em Nova York.
O organismo seguiria o modelo do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas das Nações Unidas e foi recomendado pelo economista Joseph Stiglitz, vencedor do Prêmio Nobel de Economia.
Os ex-governantes reivindicaram ações para enfrentar a "emergência da desigualdade", que, em sua avaliação, enfraquece a democracia e o progresso econômico.
A criação do PID daria "uma resposta institucional vital" a estes desafios e permitiria rastrear as tendências, impactos e causas da desigualdade.
O painel possibilitaria que "especialistas de destaque atuassem para fechar as brechas de evidências que, até agora, fizeram com que os esforços para enfrentar a crise da desigualdade se mostrassem insuficientes", afirma a carta.
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