Imigrantes presos na "Alcatraz dos Jacarés", um centro de detenção na Flórida, atualmente fechado, chegaram a passar horas confinados em pequenas jaulas de metal, segundo um relatório divulgado na sexta-feira (11/9) pelo órgão de fiscalização do Departamento de Segurança Interna (DHS, na sigla em inglês) dos Estados Unidos.


O escritório do inspetor-geral, ligado ao Departamento de Segurança Interna, concluiu que o uso das jaulas ao ar livre, com cerca de 1,67 m², era "sem precedentes entre centros de detenção" e colocava os imigrantes em risco. Investigadores também constataram que a unidade descumpria uma série de normas de higiene, atendimento médico, alimentação, saúde e segurança.


A BBC procurou o Serviço de Imigração e Alfândega (ICE, na sigla em inglês), vinculado ao Departamento de Segurança Interna, e o governador da Flórida, Ron DeSantis, para comentar o caso. Em resposta, o DHS afirmou ao órgão de fiscalização que autoridades estaduais eram responsáveis pela administração da unidade.


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Trump visitou a unidade conhecida como "Alcatraz dos Jacarés" em julho do ano passado


Na resposta incluída no relatório, autoridades do Departamento de Segurança Interna disseram que a Flórida, e não o governo federal, tinha a responsabilidade pelas atividades diárias do centro.


A unidade foi criada pelo Estado da Flórida por meio de uma ordem executiva assinada por DeSantis, mas os custos de funcionamento eram pagos pelo governo federal.


Em janeiro, o escritório do inspetor-geral fez uma inspeção surpresa no local, que havia se tornado um dos centros de detenção de imigrantes mais conhecidos dos EUA.


O escritório do inspetor-geral é um órgão interno e independente de fiscalização do Departamento de Segurança Interna. O atual inspetor-geral, aliás, foi nomeado pelo presidente Donald Trump durante seu primeiro mandato.



Construído em apenas oito dias em 2025, o centro ficava em Everglades, região de áreas alagadas protegidas conhecida pela presença de jacarés. Trump chegou a brincar que os imigrantes detidos ali precisariam aprender "como fugir" dos répteis. Grupos de defesa dos direitos civis classificaram as condições do local como desumanas.


Em junho de 2026, DeSantis afirmou que o centro seria fechado, já que havia sido criado para funcionar apenas temporariamente.


Segundo o relatório de fiscalização, entre julho de 2025 e janeiro de 2026, 79 imigrantes foram colocados nos pequenos compartimentos de metal, descritos como "áreas para se acalmar", destinadas a pessoas que precisassem "se acalmar e ficar algum tempo sozinhas".



Os imigrantes permaneceram nesses espaços por períodos que variaram de alguns minutos a quase duas horas e, em pelo menos uma ocasião, a medida foi usada como punição disciplinar, segundo o escritório do inspetor-geral.


"O uso de espaços tão restritivos é altamente incomum e não está de acordo com os padrões de tratamento humanitário", afirmou o relatório.


SOPA Images/LightRocket via Getty Images

Uma grande placa com o nome "Alcatraz dos Jacarés" foi instalada do lado de fora do centro de detenção


Detidos na unidade já haviam relatado à BBC que não tinham acesso a medicamentos de que precisavam, nem a banhos regulares e outras medidas básicas de higiene.


No relatório, os inspetores do escritório do inspetor-geral afirmaram que os chuveiros usados pelos imigrantes estavam infestados de pequenos insetos e que os banhos eram permitidos apenas três vezes por semana.


Segundo o documento, a unidade também não oferecia espaço suficiente para os detidos, "criando condições apertadas para pessoas que passavam a maior parte do tempo nos alojamentos".

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Imigrantes detidos ouvidos pelo escritório do inspetor-geral também disseram que não tinham acesso a água potável limpa nem podiam lavar os copos de plástico que usavam para beber.



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