O Exército israelense negou categoricamente, nesta sexta-feira (11), usar IA para matar civis em Gaza, conforme alegado em um documentário que recebeu 25 minutos de aplausos em sua estreia no Festival de Cinema de Veneza, na quinta-feira.
O filme israelense "NAZA" apresenta entrevistas com 24 ex-membros do exército ou dos serviços de inteligência israelenses, que falaram sob condição de anonimato e afirmam ter trabalhado em uma "fábrica" de assassinatos ou descrevem a sensação de estarem em um videogame mortal.
O documentário, de 80 minutos, é obra dos cineastas israelenses Yuval Abraham e Rachel Szor, ambos vencedores do Oscar.
"O objetivo era muito simples: queríamos ouvir, com o máximo de detalhes possível, como eram os sistemas de assassinato em Gaza, como funcionavam", disse Abraham à AFP.
O nome "NAZA" refere-se a um eufemismo usado pelos serviços de inteligência israelenses para indicar o número de civis que se espera que morram em um ataque aéreo.
O Exército israelense criticou nesta sexta-feira o uso de depoimentos anônimos no filme, afirmando que as identidades dos denunciantes "não podem ser verificadas".
"Os trechos citados incluem declarações sobre estratégia nacional e militar que estão claramente além do conhecimento de soldados de baixa patente", acrescentou em um comunicado.
Os bombardeios israelenses em Gaza mataram pelo menos 73.658 palestinos desde outubro de 2023, segundo o Ministério da Saúde de Gaza, controlado pelo Hamas, cujos números são considerados confiáveis pelas Nações Unidas.
A ofensiva contra o território ocorreu após um ataque de militantes do Hamas contra Israel em 7 de outubro de 2023, que matou 1.221 pessoas, de acordo com uma contagem da AFP baseada em dados oficiais israelenses.
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