A Polícia Federal realizou, nesta quinta-feira (10), uma operação para investigar o suposto desvio de recursos públicos, tendo como alvos, entre outros, a produtora responsável por um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e o deputado federal Mario Frias (PL), alinhado a Bolsonaro. 

Revelações sobre o financiamento de "Dark Horse", uma cinebiografia que ainda não estreou do ex-presidente, abalaram a campanha de seu filho, Flávio Bolsonaro (PL), adversário do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições de outubro. 

A Operação Make Up investiga "suposto desvio de recursos públicos oriundos de emendas parlamentares repassadas (...) à organização da sociedade civil", totalizando "centenas de milhões de reais", segundo o comunicado da PF. 

Emendas parlamentares são um mecanismo que permite aos deputados destinar verbas a seu critério para projetos públicos. 

O deputado Mario Frias, do Partido Liberal e apoiador de Bolsonaro, e a produtora audiovisual Karina Gama estão entre os alvos da operação, informou uma fonte da PF à AFP. 

Gama consta em registros públicos como proprietária da Go Up Entertainment, a produtora do Dark Horse, que teve o ator americano Jim Caviezel no papel de Jair Bolsonaro.

Segundo a imprensa, a operação investiga o desvio de verbas para financiar o filme, um detalhe que a polícia não confirmou. 

O filme ficou na mira depois que Flávio Bolsonaro admitiu ter solicitado transferências bancárias milionárias ao banqueiro Daniel Vorcaro, supostamente para pagar por Dark Horse. 

Vorcaro está atualmente preso por um megaesquema de fraude financeira no caso Master. 

A polícia investiga se esses fundos foram, na verdade, usados para financiar outro filho de Bolsonaro, Eduardo, que vive nos Estados Unidos e tem uma condenação no Brasil por coação em um julgamento contra seu pai, que foi condenado por tentativa de golpe de Estado. 

A operação desta quinta-feira ocorre paralelamente a essa outra investigação. Flávio Bolsonaro não está entre os alvos, segundo uma fonte da Polícia Federal. 

A polícia cumpriu 49 mandados de busca e apreensão expedidos pelo Supremo Tribunal Federal em diversos estados. 

"As investigações apontam para a existência de uma organização criminosa, formada por agentes públicos e privados, suspeita de direcionar os valores recebidos para empresas subcontratadas de forma irregular, sem comprovação da efetiva prestação dos serviços contratados", informou a PF, sem detalhar como os fundos supostamente chegaram. 

Os delitos sob investigação incluem crime organizado e lavagem de dinheiro, entre outros.

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