O México anunciou nesta quarta-feira (9) que endurecerá as medidas contra a sonegação fiscal para aumentar a arrecadação sem criar novos impostos em 2027, ano em que o país realizará eleições.

O governo também pretende reduzir o déficit fiscal da segunda maior economia da América Latina, após o indicador atingir níveis que não eram registrados havia quatro décadas.

As propostas fazem parte do pacote econômico da presidente Claudia Sheinbaum, que o definiu como um orçamento "responsável".

O governo aguarda, no entanto, a avaliação das principais agências de classificação de risco, que podem retirar do México o cobiçado grau de investimento, mantido por poucos países da região, caso considerem o projeto pouco viável.

As finanças mexicanas estão pressionadas pelo aumento dos gastos com aposentadorias, juros da dívida e programas sociais, uma das principais bandeiras dos governos de esquerda.

"É um pacote econômico responsável. O país não está se endividando, como às vezes querem dizer. Não há novos impostos", afirmou a presidente em sua coletiva de imprensa diária. "Educação, saúde e programas de bem-estar estão garantidos".

O orçamento precisa ser aprovado pelas duas casas do Congresso mexicano, onde o governo tem maioria absoluta. O prazo termina em 15 de novembro.

- "A inflação pesa muito para mim" -

A economia mexicana é, em geral, estável. O governo prevê crescimento entre 1,5% e 2,5% em 2027 e inflação sob controle.

Em agosto, a inflação foi de 0,2% e acumulou 3,26% em 12 meses, embora a população reclame do alto custo dos produtos básicos.

"A inflação pesa muito para mim", disse à AFP Juliana Castillo, trabalhadora doméstica de 46 anos. "Disseram que aumentaram o salário mínimo, mas as coisas também ficaram mais caras", afirmou em uma feira livre, antes de seguir para outra casa onde trabalha.

O plano descarta novos impostos, mas prevê reforçar mecanismos de combate à sonegação fiscal, como o endurecimento dos controles sobre o pagamento do imposto de renda.

Algumas empresas, por exemplo, declaram prejuízos em seus balanços fiscais para pagar menos impostos.

Há 54 mil empresas que "estão há cinco anos consecutivos sem pagar, declarando prejuízos fiscais", afirmou Antonio Martínez, chefe do Serviço de Administração Tributária (SAT).

Opositores acusam o SAT de ser uma instituição "de perseguição".

- Déficit e dívida maiores -

Sheinbaum herdou em 2024 de seu antecessor e mentor, Andrés Manuel López Obrador, um déficit equivalente a 5,8% do PIB — o maior desde 1988 — e pretende reduzi-lo para 3,9% em 2027.

No ano que vem, o México realizará eleições para renovar a Câmara dos Deputados e os governos de 17 dos 32 estados do país.

Analistas receberam o plano do governo com cautela e consideram otimistas demais as projeções de crescimento e arrecadação.

Soma-se a isso a intenção de reduzir o investimento público entre 2028 e 2030, o que deve afetar o crescimento e a arrecadação e levar o país a emitir mais dívida.

"Prevemos um déficit maior e também uma dívida maior do que o Ministério da Fazenda estima", explicou à AFP Arely Medina, economista do banco mexicano Banamex.

Para 2027, o governo estima que a dívida pública total acumulada corresponda a 55% do PIB. O patamar é moderado em comparação com os 70% do Brasil e a média regional de 56%, segundo dados do Ministério da Fazenda mexicano.

O governo Sheinbaum também reforçará os controles sobre a comercialização de combustíveis, atividade que esteve no centro dos maiores escândalos de corrupção revelados durante a atual administração.

O contrabando de combustíveis é conhecido popularmente no México como "huachicol fiscal" e consiste em importar gasolina ou diesel e declarar falsamente que os produtos são aditivos ou lubrificantes para pagar menos impostos.

Um ex-governador e dois altos funcionários da Marinha mexicana foram presos em diferentes casos relacionados a essa prática durante o governo Sheinbaum.

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