Simon Leviev, conhecido pelo documentário da Netflix “O Golpista do Tinder” por fraudar mulheres em mais de £7 milhões (R$ 41 milhões), está aproveitando a fama para lançar novos negócios. Em vez de desaparecer, ele fatura com mensagens de vídeo personalizadas, uma linha de perfumes e até mesmo com um aplicativo de namoro em desenvolvimento.
Leviev, cujo nome real é Shimon Yehuda Hayut, posava como um bilionário israelense do ramo de diamantes para levar mulheres a jantares de luxo e viagens em jatos particulares. Em seguida, ele simulava uma crise para convencê-las a fazer empréstimos e entregar dinheiro. Apesar de ter sido condenado por fraude, roubo e falsificação, ele cumpriu apenas curtas penas de prisão.
Nos últimos anos, ele também passou a construir uma persona voltada ao público masculino da chamada machosfera, termo usado para definir um conjunto de comunidades on-line voltadas a temas como masculinidade, relacionamentos e supostos direitos dos homens. Parte desse universo é marcada por discursos de ressentimento contra mulheres e por ideias consideradas misóginas.
A transformação é particularmente controversa porque a notoriedade de Leviev nasceu justamente de acusações de manipulação de mulheres. Agora, ele tenta reposicionar a própria história como uma espécie de prova de habilidade, poder e sucesso.
Segundo a cobertura recente sobre sua nova persona, Leviev passou a adotar uma estética de ostentação, com imagens de carros de luxo, jatos particulares e um estilo de vida extravagante. O conteúdo busca aproximá-lo de influenciadores que se tornaram referências para parte desse público, como Andrew Tate.
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Vítima relata início dos golpes
Courtney Simmonds-Miller, de 35 anos, afirma ter sido a “primeira vítima” de Leviev, em 2008, quando ele a enganou para cometer uma fraude internacional com cartões de crédito. Ela conta que ver a ascensão dele como celebridade a deixa “enjoada”, pois ele quase arruinou sua vida.
Ela o conheceu em um shopping no Chipre, onde vendiam produtos para cabelo. Na época, ele usava o nome de nascimento, Hayut, e alegava ser filho do dono de uma companhia aérea israelense. Segundo Courtney, ele morava em um “apartamento de baixa qualidade” e não tinha carro.
Meses depois de se tornarem amigos, ele a convenceu a alugar um carro com um cartão de crédito que, sem ela saber, era roubado. Ambos foram presos, mas Leviev entregou os cartões a ela no momento da detenção. Courtney foi absolvida, mas alega que ele “fugiu do Chipre, deixando-a na pior”.
Ao ser questionado sobre o caso, Leviev negou ter estado no Chipre ou conhecer Courtney, afirmando que luta “pelos direitos dos homens”. A declaração contradiz fotos dos dois juntos e documentos judiciais do processo.
Entre seus novos projetos, Leviev vendeu mensagens personalizadas na plataforma Cameo, onde teria faturado £22 mil (R$ 131 mil) nos três primeiros dias. Ele também lançou um livro de memórias, “The Story Behind The Man: The True Story of The Tinder Swindler”, vendido por £11 (R$ 65).
O homem por trás do personagem
A tentativa de reconstruir a imagem pública acontece apesar do histórico judicial e das acusações relatadas no documentário da Netflix. Leviev continua negando ter cometido os crimes atribuídos a ele e afirma que sua imagem foi distorcida pela produção.
Em 2026, ele chegou a um acordo com a família Leviev, que havia entrado com uma ação contra ele por usar o nome da família e se apresentar como integrante do grupo de bilionários do setor de diamantes. Como parte do acordo, Leviev concordou em deixar de afirmar qualquer ligação com a família ou com suas empresas. O processo foi encerrado sem admissão de culpa.
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