O senador Flávio Bolsonaro reuniu milhares de apoiadores nesta segunda-feira em São Paulo, para protestar contra o Judiciário e o presidente Lula, seu adversário nas eleições presidenciais de outubro.
Uma multidão vestida de verde e amarelo acompanhou o candidato de direita no ato que marcou o 7 de Setembro na Avenida Paulista. Flávio entrou na disputa eleitoral após o ex-presidente Jair Bolsonaro ser condenado a 27 anos de prisão em 2025, por tentativa de golpe de Estado.
Pesquisas de opinião apontam uma disputa acirrada entre Lula e Flávio, cujos apoiadores pediram hoje a destituição do ministro do STF Alexandre de Moraes, envolvido em revelações de um megaescândalo financeiro.
"Os ricos estão ficando pobres. As empresas estão indo embora. Então está na hora de expulsar esse pessoal daqui", disse Valeria Fernandes, 63, que exibia cartazes com as frases "Fora, Moraes" e "Fora, Lula".
- Candidatura 'de protesto' -
Cerca de 28.500 pessoas participaram da manifestação, segundo um levantamento do Monitor do Debate Político, da Universidade de São Paulo.
"Lula é o responsável por este caos moral que o Brasil está passando hoje", afirmou Flávio, que também atacou o Judiciário, após a revelação de mensagens que o banqueiro Daniel Vorcaro teria enviado a Moraes com o aparente objetivo de escapar da investigação que o levou à prisão.
"Vou trabalhar para resgatar a credibilidade do Judiciário brasileiro. Minha candidatura é de protesto", disse Flávio, que, assim como Lula, tem 41% das intenções de voto em um eventual segundo turno, segundo uma pesquisa divulgada hoje pelo instituto Quaest.
Alguns apoiadores carregavam uma figura inflável gigante do presidente americano segurando uma pequena representação de Lula vestido como presidiário. Donald Trump chamou o julgamento de Jair Bolsonaro de "caça às bruxas" e impôs sanções contra Moraes em 2025.
- País soberano -
Lula, por sua vez, participou mais cedo de um desfile militar em Brasília. Na véspera, enviou aos brasileiros uma mensagem com referências indiretas aos Estados Unidos, que impuseram em julho tarifas ao Brasil.
"Nenhum governante estrangeiro tem o direito de dizer de quem podemos comprar e para quem podemos vender. Somos um país soberano", declarou o presidente em um vídeo.
Uma terceira candidatura alcançou 10% das intenções de voto na pesquisa Quaest da semana passada e se apresenta como uma possível terceira via, a do psiquiatra Augusto Cury, que reuniu apoiadores em uma passeata na Praia de Copacabana, Rio de Janeiro.
"A gente está cansada dessa polarização, dessa briga, e ele traz o diálogo, a paz. É isso que a gente procura", disse Alejandra Rana, 55, que participou do ato.
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