Líderes da indústria audiovisual mundial prometeram, nesta segunda-feira (7), defender o cinema das ameaças da inteligência artificial generativa e dos smartphones, durante uma cúpula internacional inédita realizada na França. 

O primeiro "Fórum Lumière", que reuniu cerca de 220 participantes de 65 países na cidade de Saint-Paul-de-Vence, no sul da França, terminou com uma série de iniciativas em apoio ao cinema, que sofreu uma queda na frequência às salas desde o início da pandemia de covid-19 (-40% em todo o mundo em cinco anos). 

"Estamos aqui para entender o que está acontecendo e para dar uma resposta coletiva", disse o presidente francês, Emmanuel Macron, na abertura do encontro.

"Se não respondermos de forma eficaz a essas mudanças, sem dúvida enfrentaremos uma crise", afirmou seu homólogo sul-coreano, Lee Jae Myung, cujo país copatrocinou o evento.

A cúpula reuniu executivos dos principais estúdios de Hollywood, plataformas de streaming, emissoras de televisão, produtores, distribuidores e representantes da indústria cultural de diversos continentes, em uma tentativa de encontrar pontos de consenso para apoiar o setor.

A IA generativa foi um dos principais temas de discussão.

Os organizadores defenderam um novo marco de cooperação internacional para o cinema, inspirado em mecanismos multilaterais utilizados em áreas como a mudança climática. 

Entre as iniciativas anunciadas estava a criação da Iris, uma organização de apoio ao cinema independente, financiada por cineastas como os irmãos Dardenne, Jafar Panahi, Pedro Almodóvar e Sofia Coppola, que terá um orçamento inicial de 30 milhões de euros (aproximadamente 178 milhões de reais). 

No entanto, as principais empresas de inteligência artificial não compareceram ao evento. 

O YouTube recusou o convite dos organizadores. Suas atividades são criticadas pela indústria audiovisual, que acusa a plataforma de competir diretamente com a produção cinematográfica sem contribuir para o seu financiamento. 

O evento contou com o apoio de figuras como George Clooney e Martin Scorsese, que descreveram o fórum como "o debate global de que todos precisamos".

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