A imprensa marroquina criticou, nesta sexta-feira (4), um relatório da polícia espanhola que apontava para a "permissividade" das forças marroquinas durante o fluxo de dezenas de milhares de migrantes para o enclave de Ceuta no final de julho. 

O documento é atribuído a pesquisadores do Centro Nacional de Imigração e Fronteiras (Cenif), uma unidade de inteligência da Polícia Nacional espanhola. 

Embora as autoridades marroquinas ainda não tenham se manifestado oficialmente sobre o relatório, o portal de notícias marroquino Hespress descreve o texto como uma "narrativa particularmente frágil, carente de provas materiais e repleta de contradições". 

Segundo o Hespress, o documento buscava transformar Marrocos "no bode expiatório para acertos de contas políticos e judiciais estritamente ibéricos". 

O relatório mencionava uma "mobilização significativamente menor do que a habitual" de agentes marroquinos, alimentando assim questionamentos sobre a responsabilidade do Marrocos nesta crise sem precedentes. 

O portal de notícias online marroquino Le Desk denunciou o relatório como um "documento mal elaborado", apontando diversos erros factuais, como a referência a "30 de junho" em vez de 30 de julho. 

Por outro lado, a revista semanal TelQuel observou que, ao contrário do que vários veículos de comunicação noticiaram, o relatório não atribui o "planejamento e execução" do fluxo migratório ao Marrocos, nem nomeia quaisquer responsáveis.

O portal de notícias Médias24, por sua vez, considera "necessário" adotar "uma perspectiva marroquina" sobre este relatório, que tem sido amplamente discutido na Espanha, particularmente por veículos de comunicação com posições que, segundo afirmou, são "hostis ao Marrocos". 

O Médias24 questiona especificamente o uso do termo "permissividade", argumentando que ele se baseia em "uma imagem de satélite". 

No início de agosto, um alto funcionário marroquino afirmou à AFP, sob condição de anonimato, que não houve falha no aparato de segurança marroquino. 

O relatório, que vazou para a imprensa e ao qual a AFP teve acesso, é visivelmente incômodo para o governo espanhol, que insiste em inocentar o Marrocos de qualquer responsabilidade. 

O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, reiterou na quinta-feira que não tinha "evidências sólidas" do envolvimento do Marrocos na chegada dos migrantes, uma posição criticada por diversos membros da oposição. 

"Se essas provas concretas existissem, agiríamos de acordo, com toda a contundência que a situação exige", declarou o líder socialista.

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