Duas organizações argentinas anunciaram nesta terça-feira (1º) que entraram com uma ação para impedir um projeto petrolífero promovido pela empresa britânica Rockhopper e pela israelense Navitas em águas ao norte das Ilhas Malvinas, arquipélago cuja soberania é disputada por Buenos Aires e Londres.

Na véspera, o presidente americano, Donald Trump, disse que não descartava "revisar" a posição neutra de Washington em relação à disputa histórica pelo arquipélago, localizado no Atlântico Sul.

O projeto Sea Lion "pretende instalar uma unidade petrolífera em grande escala sobre a plataforma continental argentina, a 220 km das Ilhas Malvinas", afirmam ex-combatentes da Guerra das Malvinas e advogados ambientalistas em um comunicado que acompanha a ação.

Embora o projeto se desenvolva em uma área sob controle britânico, os autores do processo argumentam que uma decisão da Justiça local poderia afetar o seu andamento.

O presidente da associação de advogados ambientalistas, Enrique Viale, disse à AFP que o objetivo é, "primeiramente, declarar a ilegalidade, e depois atacar as fontes de financiamento em todo o mundo".

Em 2010, a Rockhopper anunciou a descoberta do campo Sea Lion na bacia norte das Malvinas. A ação exige que as empresas "se abstenham de iniciar e/ou continuar as obras, atividades preparatórias, o financiamento e qualquer outra intervenção relevante vinculada ao empreendimento, bem como de iniciar a extração e exploração de hidrocarbonetos".

Os demandantes alegam que o o projeto viola uma resolução da ONU segundo a qual ações unilaterais devem ser evitadas enquanto a disputa permanecer em aberto.

Argentina e Reino Unido reivindicam a soberania sobre o arquipélago, pelo qual travaram uma guerra em 1982. O conflito terminou com a rendição de Buenos Aires após 74 dias de combates, durante os quais 649 argentinos e 255 britânicos morreram. Desde então, a disputa segue pela via diplomática.

O presidente argentino fará um pronunciamento sobre o assunto na noite da próxima quinta-feira, confirmou o porta-voz da Presidência.

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