Familiares de presos políticos se manifestaram nesta terça-feira (1º) em Caracas para cobrar de Washington o cumprimento da promessa de libertação de seus parentes, enquanto se concretiza um grande acordo petrolífero entre os Estados Unidos e a Venezuela.

O acordo anunciado na sexta-feira, quase oito meses após a queda de Nicolás Maduro em uma operação americana, permite que os Estados Unidos explorem 17 campos petrolíferos venezuelanos, com um potencial de produção estimado em 65 bilhões de barris.

A presidente interina, Delcy Rodríguez, que assumiu em janeiro, informou que o acordo renderá ganhos de 209 bilhões de dólares (R$ 1,07 trilhão) em 25 anos.

"Donald Trump: Você negocia nosso petróleo com os criminosos que destruíram a Venezuela", diz um texto colado sobre um cilindro de papelão pintado de preto, que simboliza um barril de petróleo.

Um trabalhador da indústria petrolífera que pediu anonimato durante o protesto, que reuniu cerca de 50 pessoas em Caracas, criticou: "Pode ser que a economia melhore, mas não às custas do sangue dos mesmos venezuelanos que continuam presos injustamente".

"Quanto petróleo vale um preso político?", questionaram os manifestantes vestidos com camisas brancas, enquanto marchavam em direção ao Ministério dos Serviços Penitenciários.

Rodríguez promoveu, sob pressão de Washington, uma reforma petrolífera que abre a indústria ao setor privado e uma lei de anistia para centenas de detidos durante os governos de Hugo Chávez (1999-2013) e Maduro.

Embora Rodríguez afirme ter libertado 1.046 pessoas, a ONG Foro Penal alerta que pelo menos 328 presos políticos ainda permanecem atrás das grades.

"E os acordos sobre os presos políticos, para quando?", protestou Lexi Sandoval, mãe de Miguel Andrés Irigoyen, acusado de supostamente participar de um esquema de corrupção conhecido como Pdvsa-Cripto.

"Há resposta para tudo, para o petróleo, para tudo, menos para os presos políticos", criticou.

O governo venezuelano anunciou no mês passado a libertação de 131 pessoas no âmbito de um diálogo político, promovido pelos Estados Unidos, entre o governo interino e um setor da oposição.

ONGs conseguiram verificar apenas cerca de 80 dessas libertações.

A Casa Branca afirmou na segunda-feira, ao informar sobre o acordo petrolífero, que o processo de diálogo entre governo e oposição permitiu a "libertação de centenas de presos políticos".

Os familiares exigem que os Estados Unidos levem em consideração os presos políticos.

"Nos sentimos enganados ao ver como estão negociando todo o petróleo da Venezuela", afirmou Jessica Castro, sobrinha de Gustavo Adolfo Hernández, acusado de participar de uma fracassada incursão marítima que, segundo o governo, buscava derrubar Maduro em 2020.

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