Acusada de assassinar seus três filhos em um surto psicótico, Lindsay Clancy tem recebido apoio popular de mulheres que se identificam com sua situação. O advogado de defesa, Kevin Reddington, argumenta que a ex-enfermeira cometeu os crimes em um estado de psicose pós-parto, agravado por negligência e tratamento inadequado de seus médicos.

Essa narrativa encontrou eco em centenas de pessoas que se manifestaram em frente ao tribunal de Plymouth, em Massachusetts. Segundo a defesa, o acompanhamento psiquiátrico de Clancy foi tão descoordinado que a submeteu a uma “medicação excessiva e terrível”, resultando em alucinações auditivas perigosas.

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Renee Kimball, organizadora do protesto, afirmou a um veículo local que qualquer pessoa que já lidou com problemas de saúde mental poderia estar no lugar de Clancy. Nas redes sociais, a ideia de que a ex-enfermeira é uma vítima ganhou força, com a compaixão superando a análise da brutalidade dos atos. Em perfis no TikTok e Instagram, teorias sugerem que outra pessoa estaria por trás dos assassinatos, apesar da confissão de Clancy.

A solidariedade a ela se assemelha ao apoio recebido por Luigi Mangione, que admitiu ter matado o diretor executivo da UnitedHealthcare, Brian Thompson. Nos dois casos, os apoiadores consideram o sistema um perigo maior do que a violência individual. O caso de Clancy ocorre em um momento de baixa confiança no sistema médico americano, a menor desde 1993, segundo a Gallup.

Opiniões divididas

O apoio a Lindsay Clancy atravessa linhas ideológicas. A podcaster de direita Candace Owens declarou que ela “obviamente não é culpada” e culpou os médicos e as farmacêuticas. Tiffany Smiley, ex-candidata republicana, também expressou solidariedade, afirmando que o sistema de saúde falhou com as mulheres.

Em contrapartida, o comentarista político Matt Walsh argumentou que a psicose pós-parto não deveria ser uma defesa, recebendo críticas de outros conservadores, como Ben Shapiro. Walsh reforçou sua posição e chegou a pedir a execução de Clancy.

O caso expõe a inconsistência nos julgamentos que envolvem violência e sofrimento psicológico. Latarsha Sanders, outra mulher de Massachusetts, foi condenada pelo assassinato de seus filhos sem que seu histórico psiquiátrico fosse totalmente apresentado ao júri, mas obteve um novo julgamento. Já Nick Reiner, acusado de matar os pais, não recebeu onda semelhante de compreensão, mesmo com seu histórico de doença mental.

Se o júri aceitar a tese da defesa, Clancy será encaminhada a um hospital psiquiátrico. Caso contrário, cumprirá prisão perpétua sem possibilidade de liberdade condicional. Durante o julgamento, um psicólogo da acusação sugeriu que ela poderia saber o que estava fazendo, em uma tentativa distorcida de proteger os filhos. O termo usado foi “filicídio altruísta”.

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Uma ferramenta de IA foi usada para auxiliar na produção desta reportagem, sob supervisão editorial humana.

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