O novo governo de direita da Colômbia revogou uma resolução que, desde 2015, proibia a pulverização aérea com o herbicida glifosato devido aos seus potenciais danos à saúde humana e ao ecossistema.
No poder desde 7 de agosto, o presidente Abelardo de la Espriella planeja adotar uma linha dura para enfrentar as máfias do narcotráfico com o apoio dos Estados Unidos.
Por meio de uma resolução de 18 de agosto, divulgada nesta sexta-feira (28), o presidente aliado de Donald Trump suspendeu a proibição da pulverização aérea com glifosato, o herbicida utilizado contra os cultivos de folha de coca na Colômbia, o país com a maior produção do mundo.
O documento adverte que a revogação "não implica a retomada automática" dessa prática por aeronaves, mas abriu uma brecha para que o governo volte a realizar essas pulverizações, desde que seus efeitos adversos sejam minimizados.
A Colômbia desistiu desse tipo de operação aérea em 2015, por decisão do então presidente e ganhador do Prêmio Nobel da Paz Juan Manuel Santos.
Em meio às negociações de paz com a então guerrilha das Farc, o ex-presidente acatou um alerta da Organização Mundial da Saúde (OMS), que classificou o glifosato como "possivelmente" cancerígeno.
A Justiça posteriormente condicionou sua retomada à elaboração de um plano oficial que levasse em conta as comunidades e evitasse danos à saúde e ao meio ambiente.
Segundo o documento do governo, a retomada atual deverá levar em consideração essas recomendações da Corte Constitucional.
As pulverizações são rejeitadas por camponeses que tiram seu sustento dessa atividade e por ambientalistas, que alegam seu impacto sobre os cultivos tradicionais e as fontes de água.
Com a chegada de De la Espriella ao poder, a Colômbia entrou no Escudo das Américas, uma coalizão antidrogas integrada por cerca de 20 países da América Latina e do Caribe, liderada por Trump.
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