Um tribunal dos Países Baixos condenou, nesta sexta-feira (28), um ruandês à prisão perpétua por seu papel no massacre de 3.000 tutsis durante o genocídio de 1994.
O condenado, Eugène N., de 60 anos, era alvo de um mandado de prisão internacional emitido por Ruanda em 2014, informaram as autoridades holandesas. Como obteve a cidadania holandesa, onde reside desde 1998, não pôde ser extraditado para Ruanda.
Durante os violentos eventos de abril de 1994, cerca de 3.000 vítimas que buscaram refúgio em um estádio de futebol em Mabazi, no sul de Ruanda, foram massacradas.
"Os crimes cometidos pelo réu perturbaram profundamente a sociedade. Trata-se de uma violação considerável da ordem jurídica em Ruanda e em todo o mundo", declarou um juiz do tribunal distrital de Haia.
"Somente a prisão perpétua se justifica", acrescentou.
Eugène N. negou as acusações e alegou ter sido ele próprio vítima da violência.
Mais de 800 mil pessoas, segundo a ONU, foram assassinadas na primavera de 1994, principalmente membros da minoria tutsi.
Tribunais de países europeus julgaram e condenaram dezenas de pessoas envolvidas no genocídio ruandês, com base no princípio da jurisdição universal, que lhes permite processar os crimes mais graves mesmo que tenham sido cometidos no exterior.
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