A milícia curda síria Unidades de Proteção da Mulher (YPJ) declarou, nesta quinta-feira (27), que conversou com o Ministério do Interior sobre sua integração às forças governamentais.

O anúncio foi feito dois dias depois que o líder curdo das Forças Democráticas Sírias (FDS), Mazlum Abdi, anunciou a dissolução da milícia, da qual as YPJ fazem parte, conforme previsto em um acordo com o governo de Damasco, a partir da coalizão de rebeldes que derrubou Bashar al-Assad.

Em um comunicado, as YPJ informaram que sua liderança se reuniu na quarta-feira com uma delegação do Ministério do Interior. 

"Foi confirmada a possibilidade de integrar as Unidades de Proteção da Mulher, como força especial e organizada, no âmbito do Ministério do Interior", especificou a nota.

As combatentes curdas devem ser integradas ao exército sírio, que atualmente não aceita mulheres em seus efetivos.

Após a eclosão da guerra civil síria em 2011, as milícias curdas, que incluíram muitas mulheres em suas fileiras, foram a vanguarda da luta contra o grupo jihadista Estado Islâmico (EI).

As combatentes assumiram posteriormente responsabilidades administrativas e de segurança nos campos de Al-Hol e de Al-Roj, no nordeste da Síria, onde familiares de supostos jihadistas ficaram detidos durante anos. 

Uma fonte militar curda, que falou sob condição de anonimato, informou à AFP que 1.500 combatentes seriam integradas a uma força subordinada ao Ministério do Interior.

As negociações continuarão "para completar o processo de integração", no âmbito do acordo firmado em janeiro entre Abdi e o presidente Ahmed al-Sharaa, um ex-jihadista de um grupo derivado da ramificação síria da Al-Qaeda que agora busca se apresentar como uma figura unificadora. 

As FDS foram criadas em 2015 por iniciativa dos Estados Unidos, que buscava um aliado confiável na batalha em curso contra os jihadistas.

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