A Justiça da Bolívia decretou na sexta-feira (21) seis meses de prisão preventiva contra o assessor pessoal do presidente Rodrigo Paz, o argentino Fernando Cerimedo, investigado como principal suspeito de um ataque a tiros contra sua ex-companheira, informou o Ministério Público.

Cerimedo, de 45 anos, é conhecido em vários países da América Latina por assessorar campanhas eleitorais de candidatos de direita como Javier Milei (Argentina), Jair Bolsonaro (Brasil), Nasry Asfura (Honduras) e o próprio Paz.

Na madrugada de terça-feira, ele foi detido após desembarcar no aeroporto da cidade de Santa Cruz (leste), procedente de La Paz.

Na noite de segunda-feira, sua ex-companheira, a advogada boliviana Nadia Beller, sobreviveu em Santa Cruz a um atentado em que foi alvo de três tiros de assassinos de aluguel.

Beller, que continua internada em uma clínica particular, acusou Cerimedo de planejar sua morte.

O Ministério Público abriu uma investigação contra ele por "tentativa de feminicídio".

O juiz "determinou a detenção preventiva pelo prazo de 180 dias" de Cerimedo no presídio de Palmasola, em Santa Cruz, informou a promotora do caso, Yolanda Aguilera, ao final da audiência judicial.

O assessor argentino compareceu à Justiça vestindo um colete à prova de balas, segundo imagens da AFP.

Segundo Aguilera, durante a audiência, Cerimedo declarou "que é inocente e que não tem nada a ver com este assunto".

A defesa do argentino classificou o juiz Wilson Espada como "arbitrário".

"Não existe certeza de que o senhor Fernando Cerimedo teria contratado (...) estas pessoas. Existem algumas mensagens de chat que não conduzem à verdade histórica dos fatos", disse Ernesto Giraldes, advogado de Cerimedo, ao jornal El Deber.

O veículo local DTV divulgou supostas perícias da Justiça realizadas no telefone de Cerimedo. Em um chat, uma pessoa teria informado a ele na noite do crime: "Irmão, neste momento atiraram nela".

Na quinta-feira, o Ministério Público de La Paz fez buscas em diversos imóveis relacionados a Cerimedo. Em uma residência, agentes encontraram o equivalente a 43.000 dólares e uma suposta 'fazenda de bots', sobre a qual não revelou detalhes. A defesa negou a existência da 'fazenda'.

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