Questionada por parte da opinião pública britânica, Meghan Markle, esposa do príncipe Harry, enfrenta um difícil retorno ao Reino Unido, onde foi submetida a um intenso escrutínio da imprensa e nunca chegou a se sentir integrada à família real.
Em entrevistas reveladoras e documentários, a ex-atriz americana, de 45 anos, nunca escondeu as dificuldades que enfrentou para se adaptar ao novo status após seu casamento de conto de fadas com o príncipe Harry, em 2018.
"Acho que há mais dúvidas sobre como ela vai se readaptar à vida no Reino Unido do que sobre Harry", resume à AFP Ed Owens, especialista em realeza.
Muito ligado às suas organizações beneficentes e desejoso de aproximar os filhos de sua família paterna, Harry enfrenta um desafio menor ao retornar ao seu país, enquanto para Meghan a equação é mais complexa.
Segundo o site de notícias australiano News.com, Meghan teria recebido uma oferta para participar de uma produção britânica, o que explicaria sua mudança para o Reino Unido, por um período ainda incerto.
Especialistas consideram que Meghan deve se dedicar principalmente à família — e especialmente aos filhos Archie, de 7 anos, e Lilibet, de 5, que estudarão no Reino Unido — e apoiar Harry em seu trabalho como patrono de organizações beneficentes.
- Impopular no Reino Unido -
Nos Estados Unidos, suas perspectivas pareciam ter se esgotado após o fim de seu contrato com a Netflix para o programa "With Love, Meghan", embora no fim de 2025 ela tenha feito uma breve aparição em um filme que ainda não estreou.
No Reino Unido, ela continua muito impopular. Segundo o último levantamento da YouGov, instituto britânico de pesquisas de opinião, publicado em julho, 61% dos britânicos não gostam dela.
E os tabloides, contra os quais o casal apresentou vários processos, podem não facilitar seu retorno.
Após a rumorosa mudança para os Estados Unidos em 2020, Harry e Meghan denunciaram os métodos dessa poderosa imprensa, que examina cada gesto da família real e persegue seus integrantes e pessoas próximas.
"Não importava o quanto eu tentasse. Se eu me comportasse bem, fizesse o que fizesse, eles sempre encontravam uma maneira de me destruir", contou Meghan em 2022, em seu documentário para a Netflix.
A imprensa, no entanto, havia inicialmente recebido bem sua entrada na família real, considerando-a uma lufada de ar fresco em uma instituição com tradições centenárias.
Mas ela rapidamente despertou a hostilidade dos tabloides, que a acusaram de ser caprichosa e de rejeitar as obrigações associadas aos privilégios de sua nova posição.
Desde sua saída, Meghan se distanciou do Reino Unido e só retornou em poucas ocasiões, como em junho de 2022, para o Jubileu da rainha Elizabeth II, e posteriormente para seu funeral, em setembro daquele mesmo ano.
- Visita a Charles III em julho -
Em julho, Meghan e o príncipe Harry, acompanhados dos dois filhos, visitaram na Inglaterra o rei Charles III e sua esposa, Camilla, em um gesto interpretado como sinal de uma tentativa de reconciliação.
Mas seu retorno pode trazer novamente ao primeiro plano "os conflitos e questões que originalmente provocaram sua saída", como as acusações de racismo ou as preocupações relacionadas à sua segurança, comentou à AFP Nathalie Weidhase, professora da Universidade de Surrey especializada em cultura das celebridades e monarquia britânica.
A isso se somam as tensões familiares agravadas pela publicação, em 2023, da autobiografia de Harry, "O Que Sobra".
Nela, Harry acusou, entre outras coisas, William e sua esposa, Catherine, de terem preconceitos contra Meghan, o que dificultou sua integração à família real.
A entrevista concedida à apresentadora americana Oprah Winfrey em 2021 também causou comoção no Reino Unido. Nela, Meghan acusou um integrante da família real de racismo.
O especialista Ed Owens, no entanto, não espera uma nova guerra aberta.
Harry e Meghan buscam "estabilidade para sua família" e "não estão voltando para criar problemas para a realeza", considera.
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