O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, afirmou nesta sexta-feira (21) que é o momento adequado para acabar com quase seis meses de guerra com os Estados Unidos, aproveitando que Teerã está em uma posição vantajosa em relação a Washington.
As negociações entre esses adversários de longa data permanecem suspensas, e a situação no terreno também continua em um impasse, com o Irã mantendo o estratégico Estreito de Ormuz parcialmente fechado e os Estados Unidos persistindo em seu contra-bloqueio naval à República Islâmica.
"É melhor acabar com a guerra agora, enquanto estamos em uma posição de força e dignidade", declarou Pezeshkian em reunião com profissionais da saúde.
"O mundo inteiro reconhece nossa vitória e vê que os Estados Unidos são odiados em todo o planeta e atacaram nossas escolas, hospitais e infraestruturas, violando todas as normas", acrescentou.
O líder também defendeu o memorando de entendimento que assinou com os Estados Unidos em junho para pôr fim à guerra no Oriente Médio, afirmando que ele não representa uma derrota para Teerã.
"Não se encontra uma única cláusula neste acordo que indique capitulação. Todos os compromissos se aplicam à outra parte", declarou.
- Em busca do "colapso" iraniano -
Essas declarações surgem semanas depois de o líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, anunciar que havia aprovado o acordo para encerrar a guerra, apesar de ter "opiniões diferentes".
Legisladores de linha dura no Parlamento iraniano criticaram o governo pelo acordo, acusando-o de fazer concessões aos Estados Unidos, particularmente no que diz respeito à reabertura do estratégico Estreito de Ormuz.
Segundo a imprensa americana, a Marinha dos Estados Unidos tem organizado e protegido comboios secretos de petroleiros através do setor sul do estreito, o que teria viabilizado a exportação de entre cinco e dez milhões de barris de petróleo por dia.
Enquanto isso, os Estados Unidos anunciaram novas sanções na quinta-feira que, segundo o secretário do Tesouro, Scott Bessent, levarão o regime iraniano ao "colapso". Ele deve fornecer detalhes na segunda-feira.
O Ministério das Relações Exteriores do Irã acusou Washington de "terrorismo econômico" e "crimes contra a humanidade".
Os comentários de Bessent ilustram como o governo Trump passa a exercer pressão econômica, em vez de militar, sobre Teerã, à medida que a impopular guerra do presidente americano se prolonga.
A guerra entre o Irã e os Estados Unidos eclodiu em 28 de fevereiro com ataques dos EUA e de Israel contra a República Islâmica, desencadeando um conflito regional.
- Sanções para "distrair" -
Washington havia instado outros governos, incluindo a China, a unir forças para isolar a economia iraniana.
Ao ser questionado sobre as ameaças do presidente Donald Trump, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Lin Jian, disse à imprensa nesta sexta-feira que "sanções e pressão não resolverão o problema".
"A China incentiva todas as partes envolvidas a adotarem ações responsáveis e a resolverem a questão por meio de canais políticos e diplomáticos", acrescentou.
A China é uma importante parceira econômica do Irã. Antes da guerra no Oriente Médio, a potência asiática comprava mais de 80% das exportações de petróleo iraniano, segundo a empresa de análise Kpler.
O presidente chinês, Xi Jinping, tem visita agendada à Casa Branca para o dia 24 de setembro.
Bessent observou que o plano de intensificar as sanções econômicas contra o Irã significa que é menos provável que Washington precise lançar operações militares em larga escala contra o país.
Outras autoridades iranianas de alto escalão também criticaram o plano de sanções dos EUA.
O anúncio serve apenas para "distrair a atenção da própria crise dos Estados Unidos: dívida sem precedentes e taxas de juros em alta", escreveu o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, na rede social X.
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