O presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, demitiu nesta quarta-feira (19) uma funcionária de alto escalão da Presidência, Irina Mudra, após as autoridades anticorrupção do país anunciarem uma operação contra membros do gabinete presidencial e um deputado ucraniano.
Essa operação ocorre um dia após duras críticas do ex-ministro da Defesa Mykhailo Fedorov, demitido em julho, que denunciou a corrupção na Ucrânia e pediu eleições presidenciais.
O decreto de Zelensky demitindo Mudra, que ocupava o cargo de vice-chefe de gabinete, foi publicado nesta quarta-feira no site da Presidência.
Na manhã de hoje, a Agência Anticorrupção da Ucrânia (Nabu) e a Procuradoria Especializada para Casos de Corrupção (SAP) anunciaram no Telegram que estavam conduzindo uma "operação especial com o objetivo de desmantelar uma organização criminosa que opera sob a direção de um deputado ucraniano em exercício e um ex-deputado, com o envolvimento de altos funcionários da Presidência da Ucrânia e outros".
O deputado ucraniano Vadim Stolar declarou no Facebook que investigadores revistaram sua casa e que "coopera plenamente com os representantes" das autoridades anticorrupção.
Segundo a Nabu, os suspeitos teriam lavado 150 milhões de hryvnias (aproximadamente 2,8 milhões de euros ou 14,5 milhões de reais) para pagar a fiança de um réu em outro grande caso de corrupção que abalou a Ucrânia no ano passado.
Este caso envolveu um desfalque maciço no setor de energia e levou à renúncia dos ministros da Justiça e da Energia, assim como à saída da Presidência de Andriy Yermak, braço direito de Zelensky e considerado um dos homens mais influentes da Ucrânia.
Segundo os investigadores, esta extensa rede de corrupção foi orquestrada por Timur Minditch, um empresário considerado amigo próximo de Zelensky, que fugiu para o exterior.
Até o momento, as operações da Nabu e da SAP raramente resultaram em condenações.
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