O Hamas afirmou nesta terça-feira (18) que mantém seu compromisso com o acordo de paz em Gaza, apoiado pelos Estados Unidos, depois que o enviado da Casa Branca, Jared Kushner, discutiu com Israel as medidas para o desarmamento do grupo. 

"O Hamas está comprometido com esse processo acordado. É evidente que, até o momento, a parte israelense não deu aos mediadores sua aprovação clara para o roteiro", declarou à AFP o porta-voz do Hamas, Hazem Qassem. "Há prazos e procedimentos que precisam ser definidos em detalhes, mas primeiro deve haver aprovação israelense do roteiro", acrescentou. 

Kushner, genro do presidente Donald Trump, manteve uma reunião incomum com o Hamas no domingo, no Egito, antes de se encontrar no dia seguinte, em Jerusalém, com o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, que rejeitou publicamente a última fase do acordo. 

Em uma entrevista à Fox News após as conversas, Kushner afirmou que o desarmamento do Hamas poderia começar em cerca de 30 dias e que a reconstrução de Gaza não será iniciada até que isso ocorra. 

Kushner também declarou que os Estados Unidos "não restringirão o direito de Israel de se defender caso existam ameaças iminentes" em Gaza. Netanyahu exige o desarmamento total do Hamas. 

Em suas conversas com Kushner, ambas as partes concordaram que um general americano supervisionaria a entrega das armas, segundo um funcionário israelense. 

O "Conselho da Paz" de Trump, encarregado de implementar o acordo, também informou a Netanyahu que Israel não precisa começar a se retirar de Gaza até o desarmamento total do Hamas, voltando atrás em seu pedido para que Israel iniciasse uma retirada gradual. 

O Exército israelense mantém os ataques aéreos em Gaza apesar da pressão pela paz. Seus militares informaram nesta terça-feira que um ataque aéreo no domingo matou um comandante do grupo Jihad Islâmica, responsável pelo sequestro de um israelense durante o ataque de 7 de outubro de 2023, que desencadeou a guerra. 

As operações de Israel provocaram a morte de pelo menos 1.265 palestinos desde que o cessar-fogo entrou em vigor em 10 de outubro, segundo o Ministério da Saúde de Gaza, que opera sob a autoridade do Hamas e cujos números são considerados confiáveis pelas Nações Unidas. 

O Exército israelense relatou cinco baixas durante suas operações em Gaza no mesmo período.

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