A plataforma de mensagens Discord suspendeu, nesta segunda-feira (17), as transmissões ao vivo no Brasil por ordem da Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD), após a morte de uma adolescente que teria sido incentivada a se suicidar durante uma dessas 'lives'.

Popular entre os jovens, o aplicativo Discord passou a ser alvo das autoridades brasileiras após o suicídio, em julho, de uma menina de 13 anos.

"Em cumprimento à determinação da Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD), suspendemos os recursos de vídeo do Discord no Brasil", informou a plataforma americana em comunicado enviado à AFP.

A ANPD havia dado prazo até o fim desta segunda-feira para que a função de vídeos ao vivo fosse desativada. A medida permanecerá em vigor até que o Discord "demonstre a implementação e a efetividade de medidas técnicas, de segurança e de governança adequadas aos riscos identificados", segundo a agência.

A suspensão afeta apenas os recursos de vídeo do aplicativo. As mensagens de áudio e texto continuam disponíveis, esclareceu a empresa.

Segundo o Discord, as críticas da agência não refletem "a plataforma que construímos", nem os investimentos na segurança de seus usuários. "O Discord não tolera grupos ou indivíduos que promovem ou incentivam a violência", declarou.

Vários usuários brasileiros reagiram à suspensão. "Os caras permitem até celular dentro do presídio aqui no Brasil. Esse caso do Discord é a maior piada", publicou um usuário identificado como "Stupid Luh".

Outros compartilharam orientações para migrar para outras plataformas, trocar de navegador ou usar uma VPN, ferramenta que permite alterar a localização do usuário, na tentativa de contornar a restrição.

- "Show de horrores" -

Em julho passado, uma menor foi incitada, durante uma transmissão ao vivo de 45 minutos no Discord, a se automutilar e tirar a própria vida, em um fato descrito pela polícia como um "verdadeiro show de horrores".

Cinco adolescentes foram apreendidos, um adulto foi detido e uma operação policial salvou "outra menina que estava prestes a cometer suicídio ao vivo pela internet", acrescentou a polícia.

O Discord alega que seus próprios mecanismos de alerta interromperam a transmissão antes da morte da menor. 

A agência, por sua vez, responsabiliza a plataforma por confiar suas tarefas de moderação de conteúdos a sistemas automatizados defeituosos. A polícia citou como exemplo o fato de um dos envolvidos ter declarado ter 148 anos ao preencher a autodeclaração de idade exigida pelo Discord.

A primeira-dama, Rosângela "Janja" da Silva, pediu publicamente o bloqueio da plataforma no Brasil. O país é um dos mais ativos na regulação das redes sociais e, nos últimos meses, tem buscado reforçar a proteção de jovens no ambiente digital.

O Discord afirma ter mais de 90 milhões de usuários ativos diariamente em todo o mundo.

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