O presidente de esquerda, Luiz Inácio Lula da Silva, e seu rival de direita, Flávio Bolsonaro, lançam suas campanhas eleitorais neste domingo (16), sob a sombra de Donald Trump.
Os brasileiros irão às urnas em 4 de outubro novamente bastante polarizados, em uma disputa que deixa muitos eleitores com uma sensação de "déjà vu".
Mas desta vez com o presidente dos Estados Unidos como possível fator de desequilíbrio. O republicano tem apoiado abertamente candidatos conservadores em eleições na América Latina, a mais recente delas na Colômbia.
Lula, de 80 anos, que busca um quarto mandato não consecutivo, enfrenta o filho do ex-presidente de extrema direita Jair Bolsonaro.
"A campanha tá fraquíssima(...)PT não voto. Bolsonaro não voto. Então, eu nem sei o que eu vou fazer da minha vida", disse à AFP Rosalie Lourecal, uma vendedora de 53 anos em um mercado do Rio de Janeiro.
Uma pesquisa do instituto Quaest divulgada na sexta-feira mostrou que, em um provável segundo turno, Lula obteria 43% dos votos, contra 40% de Bolsonaro.
Ambos os favoritos têm taxas de rejeição superiores a 50%, de modo que a disputa deve se concentrar em um pequeno grupo de eleitores independentes.
- Lula: "Trump, não se meta" -
Lula iniciará sua campanha com um comício na cidade que foi berço de sua carreira política, São Bernardo do Campo, em São Paulo, onde discursou para multidões como sindicalista na década de 1970.
O veterano líder voltou ao poder em 2023 após ter sido preso por condenações por corrupção que mais tarde foram anuladas.
Em seu terceiro mandato, destaca a ampliação dos programas sociais, uma profunda reforma do sistema tributário e a queda do desmatamento na Amazônia.
Mas o debate é dominado pelas tensões com os Estados Unidos e pelas tarifas impostas ao Brasil.
Lula disse na sexta-feira que queria dizer a Trump, aliado de Bolsonaro: "Não se meta nos negócios do Brasil e, sobretudo, nas eleições. E, se se meter, vão perder".
O líder de esquerda quer se apresentar como defensor da soberania nacional e promete priorizar o combate ao crime organizado.
A violência é a principal preocupação dos eleitores, segundo o instituto Quaest, muito à frente da economia, que aparece em segundo lugar.
- Bolsonaro 2.0 -
O senador Flávio Bolsonaro, de 45 anos, foi escolhido como candidato da direita depois que seu pai foi preso por tentar dar um golpe de Estado contra Lula, quando perdeu a reeleição em 2022.
Ele se apresenta como uma versão "mais moderada", ao mesmo tempo em que reivindica o legado de seu pai, ainda líder incontestável do conservadorismo brasileiro.
Bolsonaro incentivou seus apoiadores a usar uma camiseta com a imagem do pai no comício deste domingo na praia de Copacabana, no Rio, onde costumava reunir multidões.
Diz que quer "resgatar" o Brasil, promete pulso firme contra o crime e dar prioridade à responsabilidade fiscal.
"Vou votar no filho do Bolsonaro", disse William Ramos, de 40 anos, dono de uma empresa de transporte escolar.
Ele debochou da promessa de campanha de Lula de que os brasileiros voltariam a comer picanha, cujo preço continua fora do alcance de muitos.
Segundo dados oficiais, a taxa de pobreza é a mais baixa desde o início dos registros, em 2012.
A economia cresceu acima de 3%, o desemprego está em mínimas históricas e a inflação caiu. Mas muitos brasileiros não percebem melhora.
"Uma pessoa que ganha o salário mínimo não tem condições de se alimentar bem nem de ter uma qualidade de vida decente", afirmou Ramos.
Jairo Nicolau, professor da Fundação Getulio Vargas, disse à AFP que as mulheres serão fundamentais nas eleições.
Elas representam 53% dos 158 milhões de eleitores do Brasil, votam mais do que os homens e contribuíram para garantir a apertada vitória de Lula em 2022.
Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia
fb/app/vel/cjc/jc