O Marrocos anunciou nesta quarta-feira (12) que tomou medidas para impedir qualquer fluxo de migrantes em direção ao enclave espanhol de Ceuta a partir de seu território, após constatar uma nova onda de desinformação nas redes sociais.

Há mais de uma semana, várias publicações na internet afirmam que o posto de fronteira entre a cidade marroquina de Fnideq e Ceuta "estará aberto" em 15 de agosto, "feriado na Espanha".

Essas publicações surgem depois que cerca de 72 mil migrantes entraram ilegalmente em poucos dias, no fim de julho, em Ceuta, um número recorde para um período tão curto.

Desse contingente, 70 mil foram devolvidos ao Marrocos, segundo o Ministério do Interior espanhol.

"Foram tomadas todas as medidas necessárias para impedir qualquer tentativa de travessia ilegal e interceptar qualquer pessoa que tente participar dela", declarou Rachid El Khalfi, porta-voz do Ministério do Interior marroquino.

O ministério informou que havia "detectado nos últimos dias a circulação de publicações e mensagens anônimas em algumas redes sociais que incentivam a organização de tentativas de travessia coletiva e ilegal em direção a Ceuta e Melilla", o outro enclave espanhol no norte da África, situado 400 km a leste de Ceuta.

Segundo as autoridades, serão tomadas medidas judiciais contra aqueles que divulgarem essas publicações.

Um "grupo de indivíduos" suspeitos de estarem envolvidos foi preso e está sendo investigado, informou El Khalfi em uma declaração divulgada pela agência oficial MAP.

Após o fluxo sem precedentes em direção a Ceuta, cerca de 2 mil pessoas - das quais mais de mil são menores desacompanhados - permaneceram na cidade autônoma, segundo a administração de Ceuta.

O Ministério do Interior marroquino pediu às "autoridades espanholas (...) que assumam sua responsabilidade e acelerem os procedimentos de retorno" desses menores.

A crise migratória deixou 11 mortos do lado marroquino, segundo Rabat. Em território espanhol, pelo menos 80 pessoas morreram, segundo uma comissão espanhola de especialistas forenses.

Mas ONGs marroquinas de defesa dos direitos humanos, incluindo a Associação Marroquina de Direitos Humanos (AMDH), afirmam que pelo menos 141 pessoas morreram ao tentar chegar ao enclave espanhol.

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