A situação dos presos políticos na Venezuela faz parte da agenda de diálogo entre o governo interino e a oposição, em negociações patrocinadas pelos Estados Unidos, disse nesta terça-feira (11) a chefe da delegação opositora.

Em 6 de agosto, representantes da presidente interina Delcy Rodríguez e da oposição iniciaram em Caracas uma primeira rodada de negociações, que termina nesta quarta-feira.

O diálogo, que busca uma transição democrática, ocorre sete meses após a captura de Nicolás Maduro em uma operação dos Estados Unidos e acontece sem a presença da líder opositora e vencedora do Prêmio Nobel da Paz María Corina Machado.

"Tivemos um encontro com ex-presos e familiares de presos políticos, que me entregaram uma comunicação que levaremos à mesa de negociações", publicou a líder da delegação opositora, Dinorah Figuera, no X. "Estamos neste processo para alcançar uma Venezuela democrática e livre", acrescentou.

Figuera reuniu-se ainda com representantes de aposentados e do sindicato de imprensa para ouvir suas demandas neste novo processo, que se soma a outros diálogos realizados durante o governo do deposto Maduro (2013-2026).

Andreína Baduel, filha do general Raúl Isaías Baduel, morto na prisão em 2021, disse à AFP que espera que o novo mecanismo "produza resultados".

"Que não seja mais um instrumento usado pelo regime, como tantos outros ao longo dos anos, para prolongar a dor, nos revitimizar, ganhar tempo e se perpetuar no poder", afirmou Baduel. Seu irmão, Josnars Adolfo, foi condenado a 30 anos de prisão em 2024, acusado de traição à pátria e terrorismo. Há 382 presos políticos na Venezuela, segundo a ONG Foro Penal.

A mesa de negociações - que ocorrem sem acesso da imprensa - é liderada por Jorge Rodríguez, presidente do Parlamento e irmão da presidente interina, que governa sob forte pressão de Washington, e por Figuera, representante do bloco opositor que conquistou a maioria legislativa em 2015.

Washington saudou o processo e afirmou que o objetivo do governo de Donald Trump para a Venezuela se desenvolve em três fases: "estabilização, recuperação econômica e reconciliação política".

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