Os iranianos são "jogadores profissionais de xadrez", afirmou nesta segunda-feira (10) o porta-voz da diplomacia da República Islâmica, em uma resposta ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que comparou o conflito entre os países a "uma partida de xadrez".
Tanto nas negociações oficiais como nos bastidores, "os iranianos demonstraram que são jogadores profissionais de xadrez", declarou o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baqaei, durante uma entrevista coletiva em Teerã.
Iniciada com uma ofensiva de Israel e dos Estados Unidos em 28 de fevereiro, a guerra no Oriente Médio está com as negociações paralisadas.
Em meados de junho, Teerã e Washington assinaram um protocolo de acordo, mas o texto foi abandonado no início de julho e, desde então, Trump tem dificuldade para encontrar uma saída diante das exigências drásticas do regime iraniano.
O presidente norte-americano tentou afastar as críticas no domingo, em uma entrevista ao portal Axios. "Vai dar certo. Sempre dá certo", disse. "É como um jogo de xadrez".
Baqaei disse nesta segunda-feira que "não devem esperar sair limpos quando brigam com porcos. Afinal de contas, isso às vezes faz parte do combate que é imposto".
Ele retomou a mensagem repetida nos últimos dias pelas autoridades iranianas: "não há negociação direta" em curso com Washington, apenas "trocas de mensagens" por meio de intermediários, e as conversas não serão retomadas enquanto os Estados Unidos continuarem cometendo "violações" do protocolo de acordo.
Enquanto isso continuar, "não estarão garantidas as condições necessárias para estabelecer um tráfego marítimo internacional seguro", prosseguiu, enquanto Teerã blinda o estratégico Estreito de Ormuz e Washington impõe como resposta um bloqueio dos portos iranianos.
No momento, a diplomacia iraniana se concentra nas negociações com Omã que pretendem definir uma futura rota de trânsito no estreito.
Ainda restam "alguns pontos técnicos" a discutir, ressaltou o porta-voz, que também mencionou vários "mecanismos" que precisam ser implementados para garantir a segurança e a limpeza da via marítima.
"Como regra geral, quando se prestam serviços marítimos, necessariamente se recebe algo em troca", disse.
O Irã não quer retornar à situação anterior à guerra e deseja cobrar pelo trânsito, apesar da oposição dos Estados Unidos e de vários países, assim como do direito internacional do mar.
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