Com mais um verão em que os incêndios florestais devastam milhões de hectares de terra e as nuvens de fumaça perturbam a vida cotidiana, o Canadá tenta mitigar a devastação anual.
Apesar da aquisição de novos aviões-tanque e da aplicação de estratégias de gestão florestal para proteger as áreas povoadas, especialistas advertem que incêndios intensos continuarão sendo uma constante na vida canadense.
"Vamos ter que aprender a conviver com isso", afirmou Normand Lacour, que trabalhou durante décadas na organização de prevenção e detecção de incêndios florestais de Quebec (Sopfeu).
O Canadá abriga cerca de 25% das florestas boreais do planeta, e as temperaturas médias anuais do país aumentam aproximadamente duas vezes mais rápido que a média mundial.
Isso o torna particularmente propício "a incêndios florestais intensos e de grande extensão", declarou à AFP Patricia DeRepentigny, professora de Geografia da Universidade de Ottawa.
As três últimas temporadas de incêndios florestais no país estão entre as dez piores já registradas, incluindo o devastador verão de 2023, quando 18 milhões de hectares pegaram fogo.
Este verão não parece caminhar para se aproximar deste marco histórico: até o momento, quatro milhões de hectares foram devastados. No entanto, os danos foram generalizados.
Na Colúmbia Britânica, 15.000 pessoas receberam ordens para abandonar suas casas. E habitantes de grandes centros urbanos do leste, como Toronto, enfrentaram alguns dos piores níveis de qualidade do ar no mês passado.
- Nuvens de fogo -
O Canadá tem respondido de forma ampla e variada às emergências. O governo federal investiu o equivalente a 227 milhões de dólares (R$ 1,2 bilhão, na cotação atual) ao longo de cinco anos "para estabelecer uma nova capacidade nacional de reforço aéreo para o combate a incêndios", anunciou Ottawa em maio.
Os recursos serão destinados ao aluguel de dez aeronaves capazes de combater incêndios florestais, que serão enviadas às províncias que enfrentarem focos cada vez mais intensos.
Por sua vez, Ottawa apoia um programa milionário para retirar a vegetação e outros materiais inflamáveis das zonas povoadas.
As províncias também reforçaram sua capacidade de resposta. Quebec, por exemplo, aumentou em 40% seu efetivo voltado à prevenção e à detecção de incêndios.
Mas, no quesito proteção da população contra incêndios florestais, "o Canadá não está em uma posição particularmente favorável", afirmou Ryan Ness, diretor de pesquisa sobre adaptação do Instituto Canadense do Clima.
"Há muitas comunidades localizadas em áreas expostas a incêndios florestais que continuam se expandindo", disse à AFP.
O país também é extremamente vulnerável às "nuvens de fogo", incêndios imensos que geram seus próprios ventos e até raios capazes de provocar novos focos.
O fenômeno, consequência das ondas de calor mais frequentes causadas pelas mudanças climáticas decorrentes da atividade humana, não era comum no Canadá.
Em 2023, foram registradas 140 destas nuvens, em contraste com uma ou duas vezes reportadas ao ano, indicou DeRepentigny.
As nuvens de fogo são imprevisíveis e podem se propagar a velocidades assustadoras.
"Não há muito que possamos fazer quando isso acontece, além de retirar as brigadas do terreno e realocá-las atrás do incêndio", disse Claudia Vaillancourt, meteorologista da Sopfeu.
Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia
fa-bs/sla/vel/nn/yr