Os preços do petróleo reverteram a tendência de baixa e voltaram a subir nesta quinta-feira (6), diante das dúvidas crescentes dos investidores sobre a possibilidade de que Estados Unidos e Irã alcancem um acordo que permita normalizar o tráfego marítimo no Estreito de Ormuz.
O preço do barril de Brent do Mar do Norte para entrega em outubro subiu 3,83%, a 82,49 dólares.
Seu equivalente americano, o barril de West Texas Intermediate para entrega em setembro subiu 2,75%, a 77,29 dólares.
Na quarta-feira, o Irã anunciou ter alcançado um acordo com o sultanato de Omã sobre uma nova rota de navegação para os navios que atravessam o Estreito de Ormuz, no qual os dois países têm litoral.
Mas, segundo várias informações veiculadas pela imprensa, este projeto incluiria a cobrança de pedágio aos navios, o que os Estados Unidos rejeitam.
"Também se menciona a impossibilidade de que navios americanos ou israelenses transitem" pelo estreito, o que "não é exatamente o que o mercado esperava", disse à AFP John Kilduff, analista da Again Capital.
Em resumo, segundo o analista, "a situação está longe de estar resolvida, e não se pode confiar demais na esperança; o mercado modera, portanto, seu otimismo em relação à evolução da situação".
Qualquer reabertura do Estreito de Ormuz, bloqueado por Teerã, dependerá das ações de Washington que, por sua vez, impôs um bloqueio aos portos iranianos, afirmaram fontes iranianas a veículos locais.
Arne Lohmann Rasmussen, analista do Global Risk Management, alertou que, mesmo se um entendimento fosse alcançado, este poderia "ser tão frágil quanto o protocolo de acordo inicial de junho".
Na ocasião, Teerã e Washington pactuaram uma trégua de 60 dias e se comprometeram a garantir a livre circulação pelo Estreito de Ormuz. O acordo impulsionou a recuperação do tráfego marítimo na região, mas a retomada das hostilidades em julho acabou por desbaratá-lo.
O mercado também acompanha a evolução da situação em torno do Mar Vermelho, outro foco crucial do conflito.
Ao menos 58 membros das forças governamentais iemenitas morreram nesta quinta-feira em ataques com drones e mísseis disparados pelos rebeldes houthis, apoiados pelo Irã.
O porta-voz militar houthi anunciou um aumento das ações contra navios da Arábia Saudita como parte do bloqueio que o grupo mantém sobre a frota do reino.
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