O presidente da Argentina, Javier Milei, reiterou neste domingo (2/8) as acusações contra Luiz Inácio Lula da Silva, chamando-o de "ladrão" e "corrupto", uma semana depois de suas declarações provocarem uma crise diplomática entre as duas maiores economias da América do Sul.
"Ele é um ladrão, é um corrupto, foi condenado por roubo e corrupção, esteve preso, por isso também é verdade chamá-lo de presidiário. E não só isso: ele foi solto por uma falha administrativa no procedimento, não por ser inocente", disse o presidente ultraliberal em entrevista à emissora LN+.
"A pergunta é: eu menti?", afirmou Milei ao ser questionado sobre ter chamado Lula de "ladrão", embora sem citá-lo nominalmente, durante o evento de oficialização da candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para enfrentar o petista nas eleições de outubro.
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As declarações de Milei em São Paulo desencadearam uma crise diplomática que começou com a convocação para consultas do embaixador do Brasil na Argentina, em razão "das ofensas proferidas" pelo presidente argentino.
O Brasil também convocou o embaixador argentino para manifestar seu "repúdio" e pedir explicações pelas "agressões" do presidente Milei contra Lula e contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes.
Ao longo da semana, a Argentina tentou reduzir a tensão provocada pelo incidente diplomático.
O ministro das Relações Exteriores da Argentina, Pablo Quirno, ressaltou que, da parte de seu governo, não há qualquer possibilidade de romper relações com o país vizinho e principal parceiro comercial.
Neste domingo, porém, Milei reafirmou suas declarações de forma direta e enfática, chamando Lula de "ladrão" três vezes seguidas antes de desenvolver críticas e acusações que já havia feito contra o presidente brasileiro em uma entrevista de rádio, sete dias antes.
Milei voltou a acusar, sem apresentar provas, Lula de promover "interferência política" em seu país e na região.
Aos 80 anos, Lula declarou neste domingo estar "muito bem" ao oficializar sua candidatura a um quarto e último mandato nas eleições de outubro.
Já Milei, embora ainda não tenha lançado oficialmente sua candidatura, intensificou seu discurso de confronto tendo em vista a disputa presidencial de outubro de 2027.
Fiel ao seu estilo, o presidente argentino criticou o fato de suas declarações provocarem indignação e defendeu a veracidade de suas palavras. Ele lembrou que, quando é criticado pelo presidente da Colômbia, Gustavo Petro, ou pelo presidente do governo espanhol, Pedro Sánchez, não há as mesmas reações de reprovação.
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"Quando me insultam, tudo bem. Agora, se eu respondo, está errado. O pior de tudo é que eles me acusam com mentiras, e eu respondo com verdades", afirmou.
