Um sindicato de agentes penitenciários da Itália apresentará na terça-feira uma denúncia à Justiça por supostas violações das normas de segurança no trabalho, incluindo temperaturas superiores a 50 ºC em algumas prisões superlotadas, em uma iniciativa que a entidade considera sem precedentes. 

No documento, ao qual a AFP teve acesso, agentes penitenciários da região da Apúlia (sul) denunciam uma situação "estrutural e persistente" e acusam a administração penitenciária de negligência por não ter enfrentado problemas como a superlotação, o calor extremo, a exposição à fumaça do tabaco e a presença, nas prisões, de detentos com transtornos psiquiátricos. 

Esse tipo de denúncia, conhecido como "esposto", tem como objetivo informar as autoridades judiciais sobre possíveis infrações à lei e solicitar a abertura de uma investigação preliminar. Não requer o pagamento de indenizações. 

A denúncia sustenta que os responsáveis pelo sistema penitenciário conhecem perfeitamente as condições nas prisões da Apúlia, as mais superlotadas da Itália, e pede ao Ministério Público que determine se existem responsabilidades penais por não terem sido adotadas medidas preventivas que poderiam ter reduzido os riscos. 

Grande parte das prisões italianas precisa de reformas. Muitas foram construídas nas décadas de 1970 e 1980 em concreto maciço para dificultar as fugas, o que favorece o acúmulo de calor no verão e pode elevar significativamente a temperatura nas celas.

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