A distração dos pilotos e más práticas de manutenção contribuíram para o acidente aéreo que matou 62 pessoas em agosto de 2024 no Brasil, segundo o relatório final da investigação oficial divulgado nesta quinta-feira (23).
Uma aeronave da extinta companhia aérea Voepass despencou subitamente devido ao acúmulo de gelo nas asas enquanto voava de Cascavel, no estado do Paraná (sul), com destino ao Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo.
Durante o voo de quase 90 minutos, os pilotos entraram em um "estado de distração" e ignoraram vários alertas sobre a crescente formação de gelo nas asas da aeronave, o que fez o avião perder sustentação.
Enquanto voavam, mantiveram "conversas informais não relacionadas à condução (...) da aeronave", relata o documento apresentado pelo Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), do Brasil.
A aeronave modelo 72-500, do fabricante franco-italiano ATR, detectou a formação de gelo nas asas, além de uma falha no sistema de descongelamento, e emitiu os alertas correspondentes. Mas os pilotos não declararam em nenhum momento situação de emergência, nem modificaram o plano de voo.
O relatório também aponta falhas na cultura de segurança da companhia aérea Voepass, cujo certificado de operação foi cancelado em 2025 por negligência na manutenção de sua frota.
Havia na empresa a "prática recorrente" de não registrar falhas nas aeronaves ou registrá-las de maneira informal, segundo os investigadores.
Antes do voo, funcionários da companhia estavam cientes da falha no sistema de descongelamento do avião, mas não anotaram o problema nos diários de voo da aeronave, que operava desde 2010.
Na cabine, a única observação sobre o acúmulo de gelo foi feita dois minutos antes do impacto.
O avião perdeu quase 5.000 metros de altitude em apenas um minuto. Imagens impactantes gravadas por moradores da região mostraram a aeronave despencando em queda livre.
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