O alto comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Türk, condenou nesta quarta-feira (22) a repressão às liberdades civis e políticas na Nicarágua, onde o presidente, Daniel Ortega, se recusou a convocar eleições. 

Ortega, um ex-guerrilheiro de esquerda que está no poder há quase duas décadas, anunciou no domingo que a Nicarágua não realizará mais eleições, aumentando os temores de uma transição para um sistema de partido único. 

Até esse anúncio, os grupos da oposição no exílio mantinham a esperança de que a pressão dos Estados Unidos e de outros países levasse a uma transição ou à realização de eleições livres. 

"Esses eventos recentes acentuam ainda mais as graves restrições às liberdades fundamentais, o desmantelamento do espaço cívico e a constante erosão do Estado de Direito", afirmou o alto comissário, que denunciou a crescente concentração de poder no país latino-americano. 

"Exorto as autoridades a reabrirem o espaço cívico e a restaurarem o Estado de Direito. Todas as pessoas, independentemente da sua filiação política, devem poder votar e candidatar-se a cargos públicos, em conformidade com as obrigações internacionais do Estado em matéria de direitos humanos", afirmou Türk.

O alto comissário também expressou preocupação com "denúncias de repressão contra a Igreja Católica e outras denominações religiosas, incluindo a falta de informações oficiais sobre o destino, o paradeiro e o estado de saúde do bispo Abelardo Mata Guevara, de 80 anos, que foi detido em 29 de junho". 

Ortega e sua esposa, Rosario Murillo, governam com poder absoluto e esmagaram a oposição interna após os protestos massivos em 2018, que deixaram cerca de 300 mortos e que eles consideram uma tentativa de golpe apoiada pelos Estados Unidos. 

Após uma reforma constitucional aprovada no final de 2024, que estendeu o mandato presidencial de cinco para seis anos e elevou o cargo de Murillo à copresidência, a Nicarágua tinha eleições gerais marcadas para 2027. 

Türk pediu ao governo que "liberte imediatamente todos os detidos arbitrariamente" e garanta "que todos os privados de sua liberdade sejam tratados com humanidade e dignidade".

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