O governo brasileiro informou nesta terça-feira (21) que não buscará uma retaliação pela nova tarifa de 25% imposta pelos Estados Unidos a vários produtos brasileiros, anunciada na semana passada por Washington e que entra em vigor amanhã.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva havia prometido ativar uma lei de reciprocidade comercial, mas Brasília baixou hoje o tom.
"A ideia não é retaliação. Olho por olho, o que pode acontecer é de os dois ficarem cegos", disse o vice-presidente, Geraldo Alckmin. "No que depender do Brasil, negociação sempre", acrescentou, após se reunir com autoridades de setores afetados, como os de fabricantes de calçados e máquinas.
Os empresários se opuseram à ativação da lei de reciprocidade, aprovada por unanimidade no Congresso em abril de 2025.
O Brasil é um dos países mais castigados pela nova rodada de tarifas americanas, após reveses judiciais anularem as taxas anteriores.
Washington impôs os 25% em resposta ao que considera "práticas comerciais desleais" brasileiras para impedir a entrada de produtos americanos. Segundo Alckmin, "a medida é injusta e totalmente descabida", visto que a balança comercial apresenta superávit em favor dos Estados Unidos.
A menos de três meses das eleições presidenciais, as sobretaxas surgem como um ponto de conflito importante entre Lula e o senador Flávio Bolsonaro.
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