O Senado do Chile aprovou na madrugada desta quinta-feira (16) a megarreforma legislativa com a qual o governo de extrema direita de José Antonio Kast espera impulsionar a economia, e que a oposição de esquerda critica por considerar que favorece apenas os setores mais ricos. 

Ao plano falta apenas uma validação na Câmara dos Deputados, onde os grupos de direita são maioria. 

"O Chile precisa crescer, e este projeto torna isso possível", celebrou o ministro da Fazenda Jorge Quiroz após a aprovação, por volta das 03h00, horário local. 

O projeto inclui vários benefícios tributários, como uma redução gradual do imposto de renda das empresas, de 27% para 23%, próximo da média dos países desenvolvidos. 

"Cada ponto que se reduz significa 420 milhões de dólares (2,13 bilhões de reais) a menos na arrecadação do Estado", protestou a senadora opositora Beatriz Sánchez durante o debate. 

Também está previsto um congelamento das condições tributárias por 20 anos para investimentos que superem 350 milhões de dólares  (1,77 bilhão de reais). 

Quase 56% do país discorda da redução de impostos, segundo a empresa Cadem. 

A popularidade de Kast também vem caindo, enquanto seu governo reduziu as expectativas de crescimento anual de 4% para 3,5% até 2030, quando terminará seu mandato de quatro anos. 

"Não vale muito a pena. Embora possa haver mais investimento, ainda assim é importante que o Estado tenha recursos para saúde, educação e outros benefícios", disse à AFP Ariela Jofré, auxiliar de cozinha de 21 anos em Santiago. 

Outra proposta que o governo defende, apesar das críticas da esquerda, é o reembolso dos investimentos para as empresas cujos licenciamentos ambientais forem revogados pela Justiça. 

O Fundo Monetário Internacional (FMI) concluiu que o projeto pode estimular o crescimento, mas também pressionar as contas fiscais.

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