O governo interino da Venezuela iniciará um plano de trabalho com alguns membros da oposição em agosto, sete meses após a queda do presidente Nicolás Maduro em uma operação militar dos Estados Unidos, anunciou nesta terça-feira (14) o presidente da Assembleia Nacional.
Poucos dias antes do duplo terremoto de 24 de junho na Venezuela, que deixou pelo menos 4.500 mortos, a líder opositora exilada Dinorah Figuera viajou a Caracas para manter reuniões com representantes do governo da presidente interina Delcy Rodríguez.
Durante sua visita relâmpago, Figuera, que conta com o apoio de Washington, reuniu-se com o presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez, irmão da presidente interina, e também com dirigentes da oposição.
Em um comunicado divulgado pela plataforma Telegram, Jorge Rodríguez escreveu nesta terça-feira: "Com o objetivo de fortalecer a democracia, anunciamos o início de uma agenda conjunta de trabalho com ex-membros da Assembleia Nacional de 2015-2020 a partir do próximo dia 1º de agosto."
Figuera lidera desde 2023 uma comissão que representa essa legislatura, que esteve sob controle da oposição, mas foi marginalizada por Maduro e é reconhecida por Washington como o órgão legislativo legítimo da Venezuela.
Em resposta ao anúncio de Rodríguez, Figuera afirmou em uma mensagem na rede X que assumia "o compromisso e a vontade política de impulsionar um roteiro técnico e político bilateral (...) que permita abordar os temas fundamentais para consolidar o caminho rumo à recuperação da democracia na Venezuela".
Segundo um comunicado dos ex-parlamentares opositores, reproduzido por Figuera na rede X, a agenda dará prioridade ao "fortalecimento das instituições democráticas, do sistema eleitoral e ao restabelecimento das garantias para a participação política".
– "Na contramão" –
A líder da oposição venezuelana e vencedora do Prêmio Nobel da Paz, María Corina Machado, exilada desde o fim do ano passado, ainda não comentou os avanços das negociações iniciadas por Figuera no mês passado.
Machado reivindicou a vitória do opositor Edmundo González Urrutia nas contestadas eleições de 2024, nas quais Maduro foi declarado vencedor em meio a denúncias de fraude.
Após a captura de Maduro em janeiro, atualmente preso em Nova York sob acusações de narcotráfico, tanto Machado quanto González Urrutia passaram a defender a realização de novas eleições presidenciais.
No fim de maio, a líder opositora havia manifestado sua "determinação" em negociar uma transição democrática com o governo de Rodríguez.
Em meio à crise provocada pelos terremotos, Machado acusou as autoridades venezuelanas de fechar o espaço aéreo para impedi-la de retornar ao país, do qual saiu clandestinamente para receber o Prêmio Nobel em Oslo, em dezembro.
Especialistas afirmam que a insistência de Machado em retornar vai "na contramão" dos interesses de Washington.
Isso "a deixou ainda mais à margem do processo de transição" política, afirmou à AFP Juan Manuel Trak, professor da Universidade de Salamanca, na Espanha.
Delcy Rodríguez, que era vice-presidente de Maduro, assumiu temporariamente o poder em janeiro. Sua agenda incluiu a libertação de presos políticos e reformas legislativas para abrir as reservas minerais e de petróleo do país ao capital estrangeiro.
Também houve uma aproximação com os Estados Unidos. Em março, os dois países concordaram em restabelecer as relações diplomáticas e consulares, após sete anos de ruptura durante o governo Maduro.
Na segunda-feira, a presidente nomeou como novo chanceler Félix Plasencia, que atuava como seu representante diplomático nos Estados Unidos, e unificou os ministérios das Relações Exteriores e do Comércio Exterior.
Nesta terça-feira, ela nomeou o ministro do Comércio Exterior, Johann Álvarez Márquez, como novo chefe da missão diplomática da Venezuela nos Estados Unidos.
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