O Fundo Monetário Internacional (FMI) saúda o projeto de reforma do banco central argentino, que visa fortalecer sua independência, declarou a porta-voz da instituição, Julie Kozack, nesta quinta-feira (9).
Essa reforma do estatuto do banco central faz parte da nova agenda de mudanças financeiras de grande envergadura anunciada recentemente pelo governo ultraliberal do presidente Javier Milei.
Esta bateria de reformas "apoia os esforços da Argentina para recuperar de forma duradoura o acesso aos mercados, mantendo a flexibilidade quanto ao momento e às modalidades", explicou Kozack em uma coletiva de imprensa.
"Além disso, apoiamos a intenção das autoridades de reformar a carta orgânica do banco central. Uma reforma deste tipo fortaleceria as salvaguardas institucionais do banco central, que protegem a independência de sua política", acrescentou.
O governo de Milei quer modificar a carta orgânica do Banco Central para que a entidade volte a se limitar a vigiar a inflação e possa ser mais imune às intervenções governamentais.
A diretora do Fundo, Kristalina Georgieva, visitará a Argentina nos dias 28 e 29 de julho, detalhou Kovack.
É um claro sinal de apoio ao governo Milei, que por sua vez é um dos principais aliados dos Estados Unidos na região.
"A visita reflete nossa relação estreita e construtiva com a Argentina e dará uma oportunidade para trocar opiniões sobre os avanços, desafios e oportunidades do país", explicou a porta-voz.
Georgieva se reunirá com Milei e sua equipe econômica, bem como com outros interlocutores não governamentais, acrescentou.
O anúncio coincide com a publicação, esta semana, das novas perspectivas econômicas do organismo, que manteve sua previsão de crescimento para a Argentina em 3,5% em 2026 e em torno de 4% para 2027.
A Argentina assinou, em 2025, um Acordo de Facilidades Estendidas com o FMI em quatro anos de 20 bilhões de dólares (aproximadamente R$ 110 bilhões, na cotação da época) e o governo assegura que conta com recursos suficientes para honrar os pagamentos da dívida de 2026.
O país sul-americano é o principal devedor do FMI, após receber, em 2018, o maior empréstimo do Fundo sob a gestão do então presidente de direita Mauricio Macri.
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