O Conselho da Paz criado por Donald Trump para acabar com a guerra em Gaza estuda instaurar uma "zona humanitária" no sul do território para abrigar dezenas de milhares de palestinos submetidos a um controle prévio, declarou à AFP um dos dirigentes do organismo.

A zona poderia servir como "ponto de partida" para a entrada em funcionamento do Comitê Nacional para a Administração de Gaza (NCAG), um órgão de tecnocratas palestinos cujo acesso ao território continua bloqueado por Israel, segundo a imprensa  egípcia e palestina.

O NCAG, com sede no Egito, é responsável por administrar o dia a dia em Gaza durante o período de transição previsto no plano do presidente dos Estados Unidos.

O plano, que recebeu o aval da ONU, tem como objetivo encerrar de maneira definitiva o conflito em Gaza, desencadeado pelo ataque do Hamas contra Israel em 7 de outubro de 2023.

O projeto de zona humanitária, previsto para as imediações de Rafah, no sul da Faixa de Gaza, seria protegido pela Força Internacional de Estabilização (ISF), uma estrutura em gestação sob o comando do Conselho da Paz.

O NCAG ficaria responsável pela triagem de civis desarmados, os únicos autorizados a entrar na zona, com o apoio da ISF, afirmou o dirigente, que pediu anonimato.

Estes moradores poderiam entrar e sair livremente do setor, garantiu, embora a ideia de zonas humanitárias fechadas, apresentada sob diversas formas há vários meses, provoque dúvidas entre muitas organizações internacionais.

A aplicação do plano de cessar-fogo de outubro de 2025 permanece estagnada há vários meses. Israel e o movimento islamista palestino trocam acusações sobre violações da trégua. Desde então, o Exército israelense ampliou o controle sobre o território palestino, do qual administra mais de 60% atualmente.

"Estamos examinando um projeto piloto que poderia permitir ao NCAG dispor de um ponto de ancoragem, abrigar dezenas de milhares de pessoas que escolheriam voluntariamente se instalar no local e oferecer um espaço onde o comitê exerceria uma governança real", explicou a fonte.

Rafah, situada na fronteira com o Egito, na extremidade sul da Faixa de Gaza, foi praticamente destruída e continua em grande medida sob controle israelense.

A ISF administraria uma "espécie de zona de amortecimento para garantir que as pessoas armadas e os combatentes não possam entrar", acrescentou o dirigente.

Segundo ele, "a missão não será assumida pelo Exército israelense, que não terá nenhum contato com a população civil nem desempenhará qualquer papel na separação das zonas em relação ao restante de Gaza".

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