O primeiro-ministro francês, Sébastien Lecornu, superou com folga nesta segunda-feira (6) uma moção de censura, apresentada por deputados ecologistas para denunciar a "omissão climática" de seu governo de centro-direita dias após uma histórica onda de calor. 

Os franceses vivenciaram o mês de junho mais quente desde que há registros, marcado por uma intensa onda de calor na segunda metade, que deixou cerca de 2.000 mortos, segundo um balanço provisório, e o sul do país enfrenta atualmente uma série de incêndios florestais. 

Os ecologistas, apoiados pela França Insubmissa (esquerda radical), acusam o governo de ter "agravado" as "vulnerabilidades do país (...) ao cortar os orçamentos destinados à adaptação" às mudanças climáticas, como o Fundo Verde. 

"Um governo que sabia, que deixou o país desarmado diante do perigo, que cortou os recursos destinados à sobrevivência e que não fez nada quando os corpos caíam, não pode continuar", defendeu na tribuna a deputada ecologista Marie-Charlotte Garin. 

O primeiro-ministro acusou os autores da moção de "instrumentalizar as vítimas" da onda de calor e de tentar medir forças entre os partidos de esquerda, a menos de um ano da eleição presidencial. 

A moção obteve 132 votos dos 289 necessários para derrubar o governo. A extrema direita não a apoiou, nem tampouco a maioria dos deputados socialistas, contrariando a posição de seu líder, Olivier Faure. 

"Compartilhamos (...) a indignação diante da omissão climática" do presidente Emmanuel Macron, mas os franceses esperam "soluções antes de entrar em uma crise política", explicou o grupo socialista. 

Lecornu respondeu no domingo à parte de suas demandas, anunciando a apresentação de um projeto de lei sobre adaptação às mudanças climáticas, mas sem aumentar o Fundo Verde.

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