Ao menos 330 crianças morreram ou ficaram feridas desde o início do ano na guerra no Sudão entre o Exército e os paramilitares, alertou o Unicef nesta segunda-feira (6).

As crianças "são mortas e feridas em suas casas, nas estradas, nos mercados e enquanto tentam acessar serviços essenciais, como educação e atendimento médico", lamentou em comunicado Sheldon Yett, diretor da agência da ONU para a infância no Sudão.

A guerra entre o Exército sudanês e os paramilitares das Forças de Apoio Rápido (FAR) começou em abril de 2023 e deixou, segundo estimativas de organizações humanitárias, mais de 200 mil mortos.

Ambos os lados recorrem regularmente ao uso de drones, que mataram mais de mil pessoas desde o início do ano e são responsáveis por 60% das vítimas infantis na região central de Cordofão, segundo o Unicef.

A cidade de El Obeid, capital dessa região, é bombardeada há semanas pelos paramilitares, que atacam infraestruturas civis, principalmente usinas elétricas, redes de água e escolas.

A ONU emitiu uma "alerta vermelho" indicando que as FAR se preparam para lançar uma ofensiva mortal contra a cidade, colocando em risco seu meio milhão de habitantes, entre eles cerca de 100 mil deslocados que fugiram da violência em outras regiões do país.

O organismo internacional teme que El Obeid seja palco de atrocidades semelhantes às cometidas pelos paramilitares em outubro de 2025 durante a tomada da cidade de El Fasher, no oeste, último grande bastião do Exército em Darfur.

"Qualquer nova deterioração [da situação] poderia expor ainda mais as crianças à morte, aos ferimentos e ao deslocamento", alertou o Unicef nesta segunda-feira.

Cinco milhões de crianças estão deslocadas dentro do território sudanês, segundo números das Nações Unidas.

Milhões de pessoas passam fome, incluindo mais de 825 mil crianças menores de cinco anos que sofrem de desnutrição aguda grave.

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