Um advogado judeu, ferido no tiroteio na praia australiana de Bondi em dezembro de 2025, descobriu na internet imagens geradas por inteligência artificial (IA) que o retratam como um 'ator de crise', relatou a vítima nesta segunda-feira (29) a uma comissão de inquérito.
Arsen Ostrovsky explicou que uma foto que ele enviou a um amigo após o ataque antissemita foi distorcida por IA para criar a impressão de que seus ferimentos eram falsos.
A história foi revelada nas audiências da comissão federal de inquérito criada após o ataque de 14 de dezembro, o mais violento em décadas na Austrália.
Sajid Akram e seu filho Naveed foram acusados de abrir fogo contra famílias judias que celebravam a festa de Hanukkah na praia de Bondi, em Sydney. Os dois mataram 15 pessoas.
"Ficou cada vez mais evidente que o ambiente online, e as plataformas de redes sociais em particular, são talvez o fator mais significativo para a disseminação do antissemitismo", disse o advogado assistente Richard Lancaster durante a audiência.
Ostrovsky, diretor do Conselho de Assuntos Judaicos Austrália/Israel em Sydney, disse que a foto se "espalhou como fogo" quando seu amigo a publicou na internet.
Na imagem, ele aparece deitado no chão com a cabeça ensanguentada.
Em apenas algumas horas foram criadas imagens geradas por IA nas quais ele aparece sorrindo enquanto um maquiador retoca o sangue em seu rosto.
Usuários de redes sociais afirmaram que a imagem era de um 'ator de crise', alguém supostamente contratado para simular eventos mortais com o objetivo de promover agendas políticas — uma narrativa persistente entre adeptos de teoria da conspiração.
Ostrovsky descobriu que a desinformação estava se propagando dois dias após o ataque, quando estava no hospital.
Outras imagens "deepfake" (imagens hiper-realistas criadas com IA) o mostravam no hospital sem curativos ou com uma estatueta do Oscar. Segundo ele, muitas imagens ainda estão online.
Organizações de verificação de fatos, incluindo a equipe de verificação digital da AFP, desmentiram as imagens.
As audiências públicas continuarão em julho.
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