O juiz encarregado pelo processo de José Luis Rodríguez Zapatero por tráfico de influência incluiu as duas filhas e a secretária do ex-primeiro-ministro espanhol no caso  como "investigadas", anunciou nesta quinta-feira (18) a Justiça da Espanha em um comunicado. 

Alba e Laura Rodríguez Espinosa são titulares de uma das empresas supostamente usadas para canalizar comissões ilegais pagas ao pai.  "A investigação atribui a essa empresa um papel instrumental na canalização, ocultação ou facilitação de operações relevantes para os fatos que são objeto do procedimento", explica o comunicado sobre a empresa de marketing Whathefav. 

Quanto à secretária Gertrudis Alcázar, "o magistrado recorda os indícios de sua participação direta nos fatos".

A investigação contra Zapatero inscreve-se no chamado caso "Plus Ultra", que examina se o antigo dirigente socialista favoreceu, em troca de dinheiro, o resgate público de 53 milhões de euros (308 milhões de reais) desta pequena companhia aérea durante a pandemia de covid-19. 

Zapatero depôs na quarta-feira perante o juiz, negou qualquer irregularidade e permaneceu em liberdade sem medidas cautelares, apesar de o Ministério Público ter solicitado a apreensão de seu passaporte.

"Sou acusado de crimes muito graves que não cometi", afirmou Zapatero em um comunicado divulgado após a audiência, declarando-se "completamente inocente". 

É a primeira vez que um primeiro-ministro espanhol, em exercício ou aposentado, é investigado pela Justiça.

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