O diretor da BBC, grupo audiovisual público britânico em plena crise, anunciou nesta quarta-feira (17) a eliminação de quase 550 postos de trabalho até março de 2027, como parte do plano de eliminação de 2 mil empregos ao longo de três anos.

Os cortes afetarão várias divisões, entre elas a de informação e programação na Escócia, no País de Gales e na Irlanda do Norte, que serão impactadas pelo cancelamento de alguns programas.

Matt Brittin, diretor da BBC, destacou, em uma nota dirigida aos funcionários, que as medidas permitirão economizar 160 milhões de libras (cerca de 1 bilhão de reais) antes do fim do ano fiscal anual do grupo.

"A magnitude das economias que precisam ser feitas implica decisões difíceis" e "todas as divisões" serão afetadas, afirmou o ex-diretor do Google, que, há um mês, assumiu a direção do grupo audiovisual britânico.

"Cortes desta magnitude inevitavelmente implicam em demissões forçadas, embora façamos todo o possível para evitá-las sempre que podemos", acrescentou Brittin, indicando que várias divisões já implementaram programas de demissão voluntária ou o farão posteriormente.

O diretor-geral indicou que nos próximos meses serão anunciadas quase 700 eliminações de cargos nas divisões corporativas, ressaltando que a BBC enfrenta um "período extremamente incerto".

A empresa anunciou, em abril, o plano de eliminar entre 1.800 e 2 mil postos de trabalho, equivalentes a 10% de seu quadro de funcionários, devido a "fortes pressões financeiras", na maior onda de demissões no grupo público nos últimos 15 anos.

O grupo audiovisual, que sofre em particular uma redução das receitas provenientes da taxa audiovisual, pretende economizar 500 milhões de libras (aproximadamente 3,5 bilhões de reais) durante os próximos dois anos, sobre um total de custos anuais de 5 bilhões de libras (cerca de 32,2 bilhões de reais).

A BBC também foi enfraquecida, nos últimos anos, por vários escândalos, entre eles o que levou, em novembro, à renúncia de seu diretor-geral, Tim Davie.

O grupo divulgou um documentário, antes das eleições de 2024, com um discurso de Trump de 6 de janeiro de 2021 editado de forma que parecia incitar o ataque ao Capitólio. A BBC pediu desculpas e retirou o conteúdo, mas Trumo apresentou uma ação por difamação na Flórida no valor de 10 bilhões de dólares (aproximadamente 50,7 bilhões de reais).

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